Horta caseira

Cada vez mais a preocupação com uma alimentação saudável e menos aditivos químicos tem levado muitas pessoas, principalmente nos centros urbanos, a cultivarem verduras, legumes e frutas em casa.

Além de uma prática boa para a saúde, uma produção autossuficiente faz bem ao meio ambiente, pois é orgânica e não necessita de agrotóxicos. E também colabora com a finança doméstica já que diminui os gastos com a feira e supermercado.

Um espaço amplo não é requisito essencial. Uma horta pode ser cultivada em qualquer canto da casa ou do apartamento. É claro que é preciso ter critério e um certo conhecimento das espécies para avaliar o que se pode plantar no espaço que você tem disponível. Não é possível cultivar melancias, jacas ou maçãs na varanda de um pequeno apartamento. No entanto, jabuticabeiras e romãzeiras se desenvolvem muito bem nesse tipo de ambiente. Ervas usadas como temperos (louro, manjericão, cebolinha, hortelã, erva-doce, alecrim, entre outras) podem ser cultivadas em pequenos vasos, até mesmo na janela da sua cozinha. Elas são fáceis de cultivar e são uma ótima opção para ressaltar o sabor da comida no lugar do sal refinado e dos temperos artificiais prontos.

Cada espécie, uma necessidade

Cada espécie possui um ritmo de crescimento e necessidades diferentes. Por isso, saiba quais são as características específicas de cada planta para tratá-las do jeito mais adequado. Isso evita problemas e frustrações futuras como ver a planta morrer ou “sufocar” as outras.

Conheça algumas características de cada espécie:

  • ALECRIM - Quando se torna adulto, acaba virando um arbusto. Por isso, plante-o em um vaso grande com, pelo menos, 30 cm de altura. Colha os galhinhos com uma tesoura apropriada para jardinagem, para não tirar lascas ou machucar a planta.
  • ALFACE - Precisa de 20 cm de distância entre cada muda.
  • CEBOLINHA - Gosta de solo bem drenado e rico em matéria orgânica. Pode ser colhida até quatro vezes, rebrotando fácil e rapidamente.
  • COENTRO - Gosta de bastante sol e solos ricos em matéria orgânica.
  • HORTELÃ - Tem raízes invasoras, que destroem as de outras espécies. Ela precisa estar num vaso só dela. Depois de quinze dias do plantio, já pode ser colhida. Crescem bem em lugares ensolarados, mas toleram bem uma leve sombra.
  • MANJERICÃO - Pode atingir de 40 a 60 cm de altura. Por isso, de preferência, plante-o em um vaso grande com, no mínimo, 30 cm de altura. É uma das ervas mais aromáticas; porém, suas flores roubam o aroma das folhas. Para não perder o que ele tem de mais precioso, pode as flores com frequência.
  • ORÉGANO - Gosta de ambientes ensolarados, solo leve e arenoso, com boa drenagem. Renove o solo do vaso anualmente.
  • SALSINHA - Prefira vasos ou canteiros pequenos. Na hora de colher, o segredo é cortar o galho e não apenas as folhas, deixando-o a um ou dois dedos de distância do solo. Rebrota até quatro vezes.
  • TOMILHO - Atinge de 10 a 30 cm de altura, e tem os ramos aveludados, que normalmente só começam a ser colhidos depois que a planta atinge dois anos. Para crescer bem, necessita de bastante sol e de um solo leve e arenoso.

Na hora de escolher as ervas, procure selecioná-las segundo as exigências de luminosidade. Dica de uniões que dão certo (para quem tem receio de misturar espécies diferentes em um único vaso):

  • Alecrim, tomilho e sálvia.
  • Manjericão, anis, carqueja e sálvia.
  • Manjericão, manjerona e cebolinha.

Conheça os adubos orgânicos

A adubação é fundamental para que a planta cresça nutrida e saudável. A terra precisa ser adubada a cada 40 dias ou toda vez que for feita a poda.

Recomenda-se escolher um adubo orgânico. Ele provém de matérias de origem vegetal ou animal, diferentemente dos inorgânicos que são obtidos a partir da extração mineral ou de derivados do petróleo. O excessivo uso de adubos inorgânicos pode alterar a composição química do solo, tornando-o menos produtivo e causar danos ao ecossistema.

Apesar de ter atuação mais lenta, o orgânico é a opção mais saudável para o solo.

Conheça um pouco mais sobre os diversos tipos de adubos orgânicos:

  • HUMUS DE MINHOCA - Um dos mais indicados para ambientes muito fechados ou que não tenham varanda. Não tem cheiro e possui e fornece diversos nutrientes para as plantas.
  • TORTA DE MAMONA - Rica em nitrogênio, atua no crescimento das plantas e na produção de clorofila, fazendo com que as folhas fiquem bem verdes. Mas há um porém: ela é tóxica para bichos e crianças. E se for misturada com a farinha de osso, pode atrair os cachorros pelo cheiro.
  • FARINHA DE OSSO - É rica em fósforo, que estimula o desenvolvimento das plantas e o crescimento das raízes. Duas partes iguais de farinha de osso e de torta de mamona são ideais para hortas e vasos com temperos. Mas se tiver bichos de estimação, essa mistura pode ser tóxica, como explicamos anteriormente.
  • TORTA DE ALGODÃO - Alternativa à torta de mamona (evita os problemas que ela causa). É rica em nitrogênio.
  • BOKASHI - Seu nome vem do japonês e significa “composto orgânico”. É obtido na fermentação de farelos diversos com o auxílio de microrganismos. Os ingredientes podem variar conforme a região.
  • TORTA DE NIM OU NEEM - Resulta do processo de extração do óleo das sementes de neem, uma árvore de origem indiana, que atinge até 10m rapidamente. Proporciona um maior desenvolvimento da raiz e o fortalecimento das plantas. Basta misturar 200g para cada 20kg de terra. Além de ser um adubo, ela também atua como ótimo repelente de pragas e insetos.

As pragas mais comuns e os repelentes naturais

  • COCHONILHA - Semelhante a um pequeno besouro marrom ou uma bolinha de algodão. Come os brotos das plantas.
  • LESMA E CARACOL - Comem folhas e flores. Retire-os, usando luvas. ou espalhe rodelas de chuchu à noite e volte uma hora depois para descartá-los.
  • PULGÃO - Trata-se de uma espécie de formiguinha, verde ou preta. Destrói brotos, folhas, flores e frutas. É preciso combatê-lo imediatamente, pois espalha-se com rapidez.
  • LAGARTA - Filhote de borboleta ou mariposa. Gosta de folhas duras e escuras, como as de couve e escarola.

Se seu objetivo é ter uma horta caseira e orgânica, opte pelos repelentes naturais. O uso de inseticidas químicos pode ser prejudicial ao desenvolvimento das plantas. Veja algumas opções:

  • PLANTE CAPUCHINHA E CRAVO-DE-DEFUNTO - A capuchinha é uma planta que encontrada nas encostas das montanhas e que produz uma flor comestível, que as lagartas costumar apreciar. Se forem plantadas entre as verduras, pode apostar que as lagartas darão preferência à elas e deixarão as hortaliças em paz. O cravo-de-defunto na horta pode afastar, além das lagartas, as moscas e os pulgões.
  • USE ÓLEO DE NIM - Falamos, anteriormente, que a torta de nim é um ótimo adubo. O seu óleo, por sua vez, é um repelente natural e barato, que pode ser encontrado em casas de jardinagem. Misture 10 ml de óleo de nim a 1 litro de água morna com sabão de coco e pulverize sobre as folhas da planta. Isso extrai lagartos, pulgões, cochonilhas e outras pragas.
  • REPELENTES À BASE DE EXTRATO DE CITRONELA, ALHO OU PIMENTA-MALAGUETA - Podem ser encontrados em casas de jardinagem, mas podem ser feitos em casa muito facilmente. Basta misturar 100g de um dos ingredientes a 1 litro de água fervida. Depois de fria, borrife a misture sobre a planta, a cada 15 dias.
  • CHUCHU, ABÓBORA E CERVEJA CONTRA LESMAS - Pode parecer estranho, mas são coisas que atraem as lesmas e facilitam a sua retirada da horta. Faça o seguinte: corte pedaços de chuchu ou de abóbora crua e coloque-os em um jornal na horta. Durante a noite, as lesmas serão atraídas para ele. Ao amanhecer, elas estarão todas juntas ainda; isso facilita sua retirada e posterior extermínio. Outra opção é embeber um pano ou estopa em cerveja. Faça o mesmo procedimento do chuchu e da abóbora. Ou então despeje a cerveja em um pratinho, com um pouco de sal. A cerveja atrairá as lesmas o sal servirá para desidratá-las.

Frutíferas em vasos

Além de ervas, verduras e legumes, é possível cultivar algumas árvores frutíferas mesmo em varandas pequenas de apartamentos.

Seja qual for a espécie escolhida, o vaso deve ser grande o suficiente para que as raízes possam crescer bem e, assim, ter uma boa produção de frutos. O vaso deve ter, no mínimo, 50 cm de altura e 40 cm de diâmetro, além de permitir uma boa drenagem.

Em geral, as frutíferas precisam de 4 horas diárias de sol. A romãzeira, pitangueira e jabuticabeira podem produzir com menos quantidade de luz. Em apartamentos, se houver sol e a varanda for protegida de ventos fortes, elas têm uma chance maior de adaptação.

Conheça algumas espécies que se adaptam ao plantio em vasos:

  • ACEROLA - Fruta natural da América do Norte, o pé de acerola tem um fácil plantio. Ela exige uma boa quantidade de luz solar e água.
  • AMORA - A melhor época para o plantio das mudas é a chuvosa. O vaso deverá ter, no mínimo, 50 cm de diâmetro, para 18 litros de substrato.
  • JABUTICABA - Apesar das suas raízes não serem profundas, precisam de bastante terra e espaço para se desenvolverem bem. Escolha um vaso com ao menos 50 cm de boca, 50 cm de altura, e um orifício no fundo com 2 cm de diâmetro para drenar. Coloque 5 cm de argila expandida ou pedra britada, mas sem tampar o furo. Cubra com uma camada de 5 cm de areia grossa. Complete com terra preparada e plante a muda.
  • LARANJA KINKAN - Geralmente, os frutos surgem no outono, podendo frutificar mais de uma vez ao ano. Essa laranjeira não gosta de solo úmido e recomenda-se esperar a terra secar entre uma rega e outra. Exige que o adubo seja trocado com frequência.
  • LIMÃO - Os limoeiros podem ser cultivados em vasos. No entanto, eles necessitam de muita luz solar (recomenda-se 6 horas diárias) e não gostam de solo muito encharcado.
  • PITANGA - O vaso deve ter uma boa quantidade de matéria orgânica e húmus de minhoca, que deve ser anualmenta substituído ou parcialmente renovado. O vaso deve ter, pelo menos, 50 litros. Deve-se irrigar frequentemente, mas sem deixar encharcado. Após a colheita dos frutos, é recomendável fazer uma poda. Elimine o excesso de ramos do interior da copa e reduza os galhos muito longos. Utilize, para isso, uma tesoura de poda. Pode também os ramos doentes.
  • ROMÃ - A mini romã é mais indicada para plantio em vasos. Se houver mais espaço em sua casa, pode optar pela romã comum, cujo arbusto pode chegar de 2 m. A rega dos vasos deverá ser mais frequente, de 2 a 3 vezes por semana. No verão, quando o calor é mais intenso, é necessário regar todos os dias, mas não encharque. Para favorecer a floração, deve-se deixar o solo um pouco mais seco na primavera.

Sugestões criativas para montar uma horta caseira

Há diversas formas de montar uma horta caseira em casa sem gastar muito e de maneira bastante criativa, reutilizando materiais que, por exemplo, seriam descartados no lixo.

Conheça algumas opções:

Cuidados gerais para hortas caseiras

Montou a sua horta em casa? Saiba o que fazer para mantê-la sempre bonita e saudável. São pequenos cuidados que fazem toda a diferença:

  • A horta deve receber luz durante a manhã e à tarde, totalizando pelo menos 4 horas diárias.
  • Quanto mais escuro for o local, mais perto da janela os vasos com as mudas devem ser colocados.
  • Se aparecerem galhos ou folhas velhas, secas ou apodrecidas retire-os. Eles são a porta de entrada para o enfraquecimento da planta.
  • Quando for cortar galhinhos ou folhas com uma tesoura, é preciso esterilizá-la antes de passar de uma planta a outra, para evitar contaminações. Para isso, passe a lâmina no fogo por alguns segundos e espere esfriar antes de usá-la novamente.
  • Use palitos de churrasco (ou outra coisa semelhante) para apoiar as mudas que estão crescendo, amarrando-as com barbante ou aqueles araminhos que costumam fechar embalagens.
  • Não deixe a terra encharcada. Umidade demais favorece a propagação de fungos e acarreta em doenças. Se não houver drenagem suficiente (com pedras no fundo do vaso, por exemplo), a raiz pode apodrecer.
  • Quer ter ervas sempre verdinhas e bonitas? Use-as bastante! Se não for usá-las, pode-as com bastante frequência, pois isso estimula o crescimento de novas folhas, evitando que murchem e sequem.

Última atualização: maio de 2015