São Paulo: hidrografia

As bacias e regiões hidrográficas correspondem às áreas de drenagem compostas por um rio principal, seus afluentes e subafluentes. A topografia do terreno delimita a região das bacias - as partes mais altas do relevo determinam para onde as águas da chuva irão escoar.

Em virtude de sua grande extensão territorial, o Brasil apresenta 12 grandes bacias hidrográficas estabelecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE e o Conselho Nacional de Recursos Hídricos - CNRH.

O país possui uma vasta e densa rede hidrográfica onde destacam-se os rios de planalto, conhecidos pelos acentuados desníveis entre a nascente e a foz, além de quedas d'água que garantem um grande potencial para produção de energia elétrica por meio de usinas hidrelétricas. São exemplos de rios de planalto o Paraná e o São Francisco.

Em termos de quantidade de rios, somos um país bastante privilegiado: cerca de 14% de toda a água doce disponível no mundo estão no Brasil.

São Paulo segundo as regiões hidrográficas

O território do estado de São Paulo está localizado em três regiões hidrográficas: Atlântico Sudeste, Atlântico Sul e Paraná.

Região Hidrográfica do Atlântico Sudeste

Abrange uma das áreas com maior densidade populacional e maior nível de industrialização do país. Devido a essa característica, é a região com a maior demada hídrica que, em contrapartida, resulta em diversos problemas em relação à disponibilidade de água.

A Região Hidrográfica do Atlântico Sudeste tem 214.629 km² de área, o equivalente a 2,5% do território nacional. Estão localizadas nessa região as regiões metropolitanas de Vitória, Rio de Janeiro e Baixada Santista.

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Região Hidrográfica do Atlântico Sul

Essa região se estende desde o Rio Grande do Sul, na divisa do Brasil com o Uruguai, até São Paulo. Embora não tenha grande relevância e abrangência no território paulista, os municípios de Cananéia, Ilha Comprida e Iguape estão inseridos nessa região hidrográfica.

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Região Hidrográfica do Paraná

Essa região possui 879.873 km² e abrange áreas dos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina e o Distrito Federal. As regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e Curitiba, além dos centros urbanos de Ribeirão Preto, Uberlândia, Londrina e Maringá, estão localizados dentro da Região Hidrográfica do Paraná.

A irrigação é a maior usuária de recursos hídricos (42% da demanda total), seguida do abastecimento industrial (27%).

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Mais informações: para saber mais sobre as regiões hidrográficas, acesse a página da Agência Nacional de Águas - ANA .

Mapa das regiões hidrográficas do Brasil

Regiões hidrográficas do Brasil

Abastecimento de água

Segundo o Atlas Brasil de Abastecimento Urbano de Água , da Agência Nacional de Águas - ANA, os 645 municípios que formam o estado de São Paulo possuem uma demanda total de água de 141,2 m³ por segundo.

Pouco mais da metade dos municípios possuem captações exclusivamente subterrâneas. Próximo à capital e a leste do estado, encontra-se um maior número de captações superficiais que totaliza cerca de 29% dos municípios. 20% restantes das sedes urbanas são abastecidas de forma mista.

Ao todo são 26 sistemas integrados no Estado que envolvem 71 municípios. A SABESP - Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo é responsável pela operação dos serviços de abastecimento de água em 366 municípios.

Rio Tietê

Ao longo dos seus 1.136 km de extensão que cortam o Estado de São Paulo de leste a oeste, o Rio Tietê possui diversas represas que abastecem cidades, permitem a geração de energia, incentivam a navegação pluvial e proporcionam espaço de lazer e a prática de esportes náuticos. Embora seja apenas um filete de água em Salesópolis, recebe a vazão de quase 30 pequenos afluentes que o torna um rio volumoso antes mesmo de chegar à capital.

O Rio Tietê é dividido em quatro grandes trechos:

  • Alto Tietê: compreende as suas nascentes até a cidade de Pirapora do Bom Jesus, incluindo o trecho que passa pela capital, com aproximadamente 250 km de extensão e cerca de 350 metros de desnível;
  • Médio Tietê Superior: da cidade de Bom Jesus de Pirapora à cidade de Laras, onde atinge o remanso da barragem de Barra Bonita, tem 260 km de extensão e 218 metros de desnível;
  • Médio Tietê Inferior: da cidade da Laras até a corredeira de Laje, encontra-se praticamente todo canalizado, por uma série de barragens de aproveitamento múltiplo. Quando o rio corria livremente, era atravessado por numerosas corredeiras originadas pelo cruzamento de diversos travessões basálticos, não havendo, porém, nenhuma grande queda no trecho. O principal afluente do Médio Tietê é o rio Piracicaba;
  • Baixo Tietê: da corredeira de Laje até a foz no rio Paraná, com 240 km de extensão e 98 metros de desnível. É o principal trecho da hidrovia Tietê-Paraná.

No Rio Tietê estão presentes algumas das mais importantes usinas hidrelétricas do Estado, que geram boa parte da energia elétrica consumida pelos paulistas. Elas são: Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão e Nova Avanhandava.

Além da geração de energia, essas usinas foram projetadas para permitir o controle de cheias, navegação hidroviária, desenvolvimento da piscicultura e atividades de recreação, entre outros usos.

Na história do Brasil, o Tietê teve um papel fundamental no processo de conquista do interior do país e do desenvolvimento no estado. São Paulo, separada do litoral pela dificuldade de vencer a "muralha" da Serra do Mar, voltava-se para o sertão cuja penetração era facilitada pela presença do Rio Tietê e seus afluentes.

Curiosidades sobre o Rio Tietê
  • O Rio Tietê nasce no Município de Salesópolis, na Serra do Mar em São Paulo, e deságua no Rio Paraná, na divisa com o estado de Mato Grosso do Sul. Ao contrário de outros cursos d'água, o rio se volta para o interior e não corre para o mar, característica que o tornou um importante instrumento na colonização do país.
  • Até o século XVI, o rio tinha outro nome: Anhembi, cuja origem indígena é relativo ao anhumy, ou anhuma, espécie de ave bastante comum.
  • O mais antigo documento cartográfico do rio foi desenhado em 1628 pela expedição de D. Luiz de Céspedes Xeria, Governador do Paraguai.
  • Em 1726, foram registrados quase 200 acidentes graves por causa das más condições de navegação no leito do rio.
  • A abertura de estradas e a perspectiva de um comércio mais lucrativo reduziram as viagens fluviais pelo Tietê. Sabe-se que as últimas ocorreram por volta de 1838, quando uma epidemia de febre tifóide se alastrou pelas margens do rio, deixando poucos sobreviventes.
  • Nas décadas de 20 e 30, quando as águas ainda eram limpas, o Tietê recebia competições de esportes como o remo.

Mapa que indica a localização do Rio Tietê no território do estado de São Paulo

Trajeto do Rio Tietê

Outros importantes rios paulistas

Rio Grande

Nasce no estado de Minas Gerais, na região de Bocaina de Minas (Serra da Mantiqueira) e percorre cerca de 1.360 km até encontrar o Rio Parnaíba para formar o Rio Paraná. A partir da cidade de Pedregulho - SP e Claraval - MG, o Rio Grande forma uma divisor natural entre o território paulista e mineiro. É importante também para a produção hidrelétrica - nesse rio está instalada a Usina Hidrelétrica de Furnas .

Rio Mogi-Guaçu

Outro rio que nasce em Minas Gerais, na região de Bom Repouso (Serra da Mantiqueira), e percorre 473 km até desaguar no Rio Pardo, em São Paulo.

Rio Paraíba do Sul

O Paraíba do Sul nasce na região da Serra da Bocaina, no estado de São Paulo, alimentado pelos rios Paraitinga e Paraibuna. Ele percorre 1.120 km em direção ao leste, atravessando importantes cidades do Vale do Paraíba, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Sua foz é no Oceano Atlântico, na cidade de São João da Barra.

Rio Paranapanema

Rio que nasce na região de Capão Bonito, na Serra Agudos Grandes, e percorre 929 km até desaguar no Rio Paraná. É um divisor natural dos estados de São Paulo e Paraná. Possui 11 barragens que propiciam grande potencial na produção hidrelétrica com destaque para as Usinas de Chavantes, Capivara e Taquaruçu - com capacidade de produção de 414, 619 e 526 MW, respectivamente.

Rio Piracicaba

Com 115 km de extensão, é o principal afluente do Rio Tietê e importante fornecedor de água para as regiões de Piracicaba e Campinas.

Rio Ribeira do Iguape

Formado pela confluência dos rios Ribeirinha e Açungui no estado do Paraná, o Ribeira do Iguape percorre 470 km por uma região montanhosa coberta pela Mata Atlântica. Sua foz é no Oceano Atlântico, na região da cidade de Iguape.

Mais informações

Última atualização: abril de 2016