Cultura e folclore paulista: música

Imagem de 'O Violeiro', obra do pintor e desenhista brasileiro Almeida Júnior (1899).

Cururu

Cururu é estilo de repente, uma cantoria caracterizada pelo duelo entre dois violeiros que improvisam segundo regras de métrica e rima. Ele é bastante comum na região do Médio Tietê. Os cururueiros, ou trovadores, são numerosos, afamados e respeitados da região, alguns deles com várias viagens para o exterior. Não há nenhuma festa, ou Pouso de Bandeira do Divino, sem o cururu. A cantoria (e o público) pode varar a noite num revezamento de vários trovadores.

Marimba

Muito comuns nas culturas bântu da áfrica negra, as marimbas transmigraram na bagagem do negro escravizado tendo sido populares no Brasil. Correspondentes nos círculos eruditos aos xilofones, são instrumentos percussivos melódicos constituídos de uma série de lâminas de determinados tipos de madeira, em números variáveis, afixados em pequenas traves ou arcos, tendo por ressoadores, pequenos coités (cabaças), cortadas pela metade e afixados por baixo de cada lâmina. Serviam, então, ao lado de outros instrumentos também chegados nas bagagens dos negros escravizados, de base rítmica, com variações, para folguedos e danças.

Ao que tudo indica as marimbas desapareceram de todo o território brasileiro, tendo sobrevivido, somente no litoral norte de São Paulo. Também ali inspira hoje cuidados, pois sua utilização se circunscreve às congadas, são muito poucos seus executantes e bem menos os que conseguem confeccioná-las. Tanto em sua configuração técnica quanto em sua execução, as marimbas caiçaras continuam bem próximas de seus ancestrais africanos.

Música Caipira

Caipira é uma denominação tipicamente paulista e, por definição, entende-se como "aquele que vive afastado". A cultura caipira foi levada pelos tropeiros para outras regiões do país, como Mato Grosso e Paraná.

A música caipira tem como herança remota as práticas musicais de Portugal. Aqui no Brasil, ganhou traços das manifestações musicais indígenas e africanas. Ganhou maior evidência a partir da primeira metade do século XX, com a popularização das modas de viola e dos violeiros-cantadores. A partir daí, o gênero musical tornou-se popular e segue assim até os dias atuais, às vezes com roupagens diferentes - como o sertanejo pop e o sertanejo universitário.

Música de Viola

É bastante fácil encontrar violeiros por todo São Paulo. Violas e rabecas, sempre associadas, existem em grande número em todo o Litoral Sul e Vale do Ribeira, com uma peculiaridade: são fabricadas na própria região.

Companheira fiel das horas de folga dos caiçaras, para quem a viola, portadora de seus sentimentos, fala e chora, costuma receber na região o nome de viola branca pela cor da madeira de que é feita, a cacheta. é a própria viola caipira. Quando querem dizer que o baile será mais de acordo com os usos da terra, dizem que haverá fandango ou para explicitar mais ainda dizem que haverá baile de viola.

São confeccionadas em 4 tamanhos: viola inteira (a maior, mais difícil de ser encontrada), três quartos (3/4 da viola inteira), meia viola e o machete (conhecida como machetão ou viulinha, um tipo de viola pequena, mais raras).

Para mais informações sobre a música tradicional paulista, sugerimos a consulta aos artigos sobre a transformação da música caipira em música sertaneja, da Elizete I. dos Santos, e o resumo do texto Música na terra paulista: da viola caipira à guitarra elétrica, de Alberto T. Ikeda.

Fontes de referência e créditos

Texto desenvolvido com base nos textos do Portal do Governo do Estado de São Paulo sobre cultura e artesanato paulista, site Revelando São Paulo e os livros da Coleção Terra Paulista.

Crédito da imagem: "O Violeiro" (1899), obra do pintor brasilero Almeida Júnior no Wikipédia .

Última atualização: março de 2015