Cultura e folclore paulista: festas juninas

Menina com trajes juninos brincando com bolinhas de sabão.

Não apenas no estado de São Paulo, mas de norte a sul do país, as festas juninas se espalham pelas casas, escolas, clubes e empresas, enfeitando praças, locais de trabalho e salas de aulas com as coloridas bandeirinhas e seu formato inconfundível. As mesas se enchem de fartura com sabor da roça através dos pratos típicos da época, como bolo de fubá, pipoca, cuscuz, pé-de-moleque e o famoso quentão. Escolas e grupos folclóricos se organizam para preparar as apresentações das quadrilhas ao som da sanfona e das marchas juninas típicas.

Vamos ver que essa festa popular, feita pelo povo para o povo, chegou ao Brasil com a aristocracia portuguesa, e foi usada pela Igreja para disseminar suas crenças religiosas. Ganhou características próprias por conta da influência da cultura indígena e africana, transformando-se em manifestação popular, sobretudo na região Nordeste do Brasil, onde o sentido da festa e da celebração aos santos tem uma importância quase vital para a população.

Embora existam megaeventos que atraem milhões de visitantes (como as festas de Caruaru e Campina Grande), as festas juninas continuam com a sua simplicidade típica, repleta de significados, símbolos, crenças e costumes.

A maior festa de São João do mundo

Na região Nordeste do Brasil, as festas juninas são grandes eventos que contribuem pela movimentação da economia local e do turismo em diversas cidades. Afinal, comemorar o São João é importante para os moradores da região.

As cidades de Caruaru, em Pernambuco, e Campina Grande, na Paraíba, disputam amistosamente o título de “Maior São João do Mundo”. Em ambas as festas, as danças de quadrilha são espetáculos grandiosos e luxuosos. Podemos comparar o trabalho e a preparação desses grupos juninos com as das escolas de samba do Rio de Janeiro ou do boi-bumbá em Parintins.

Em Caruaru, conhecida como a "Capital Brasileira do Forró", são esperadas 1,5 milhão de pessoas na edição de 2013. Em Campina Grande, a expectativa é de 2 milhões de visitantes e a geração de 10 mil empregos diretos e indiretos só com a festa.

Origem das festas juninas

Antes de se tornar uma festa em comemoração vinculada aos santos do catolicismo, as celebrações no mês de junho já eram realizadas muitos antes da era cristã.

O solstício de verão no hemisfério norte ocorre em 21 ou 22 de junho, quando temos o dia mais comprido e a noite mais curta do ano. Os povos antigos, incluindo as civilizações gregas, egípcias e celtas, comemoravam essa passagem do calendário. Regadas com o calor do fogo e muita bebida e comida, eram celebrações à fertilidade e também para rogar aos seus deuses para que eles trouxessem fartura nas próximas colheitas.

Com a evangelização da Europa na Idade Média, o ritual pagão foi incorporado ao calendário cristão e ganhou um cunho religioso. Isso ocorreu, basicamente, por dois motivos: para facilitar a catequese dos pagãos e esvaziar ideologicamente suas comemorações. Não é por acaso que as comemorações cristãs possuem relação com as principais passagens de tempo. É o caso da Páscoa (que ocorre no primeiro domingo de lua cheia após o equinócio da primavera no hemisfério norte), o nascimento de Jesus (atribuído ao dia 25 de dezembro, logo após o solstício de inverno no hemisfério norte) e o dia de São João (dia 24 de junho, logo após o solstício de verão no hemisfério norte).

Em Portugal, a Igreja dedicou o mês de junho à celebração dos seus santos populares. Santo Antônio de Lisboa (ou Santo Antônio de Pádua) é comemorado no dia 13 de junho, São João Batista em 24 de junho, e São Pedro em 29 de junho.

Essa mistura entre festas cristãs de santos e folguedos pagãos recriam até hoje novas práticas culturais. Os rituais foram trazidos principalmente por portugueses ao Brasil colonial; mas houve a contribuição dos espanhóis, holandeses e franceses, o que deu origem a diversos tipos de celebrações nas diferentes regiões do país. Aqui, elas foram associadas aos rituais do solstício de inverno que também eram comemorados pelos povos existentes com muita festa e comida. A miscigenação étnica entre índios, africanos e europeus fez brotar no país uma série de belas expressões artísticas, como cantorias de viola e cordéis; emboladas de coco e cirandas; xote, xaxado e baião, sem falar nas quadrilhas e forrós.

Programa de índio

Quando os jesuítas chegaram ao Brasil, difundiram várias festas religiosas. Em pouco tempo, as celebrações se mostraram muito eficazes para atrair a atenção dos indígenas para a mensagem catequizadora dos padres. Em especial as festas joaninas – comemoradas com fogueiras, rezas e muita alegria –, que coincidiam com o período em que os índios realizavam seus rituais de fertilidade. De junho a setembro é época de seca em muitas regiões do país. Os rios baixos e o solo seco deviam ser preparados para o plantio. Os roçados do ano anterior ainda estavam repletos de mandioca, cará, inhame, batata-doce, abóbora e abacaxi.

Também era época de colheita do milho, do feijão e do amendoim. Tanta fartura era considerada uma bênção e devia ser comemorada com danças, cantos, rezas e muita comida. Essa coincidência de comemorações fez com que as festas juninas ficassem entre as preferidas da população. A tradição mantém-se até hoje em várias cidades brasileiras: nas festas juninas deve-se agradecer a abundância do ano anterior, reforçar os laços familiares e rezar para que os maus espíritos não impeçam a próxima colheita.

Santo Antônio, o santo casamenteiro

A primeira das festas do ciclo junino é a de Santo Antônio. Nascido em Lisboa em 1195, passou a maior parte da sua vida em Pádua, na Itália. Conta a história que ele ajudava as moças pobres a conseguirem um dote e um enxoval para que pudessem encontrar um marido.

Certa vez, em Nápoles, havia uma moça cuja família não podia bancar seu dote para casar. Desesperada, a jovem ajoelhou-se em frente a uma imagem de Santo Antônio e pediu com muita fé que ele a ajudasse. Milagre ou destino, ela encontrou um bilhete de um comerciante que dizia recompensar com moedas de prata. E foi isso o que ocorreu: ela recebeu as moedas e pôde se casar conforme o costume da época.

Embora sua fama seja de "santo casamenteiro", Santo Antônio é considerado um santo das causas militares em Portugal. Acreditava-se que, se invocado, tinha o poder de sobrepujar os inimigos e outras hostilidades. Assim como São Longuinho, Santo Antônio também pode ajudar as pessoas a encontrarem objetos desaparecidos. Reza conhecida como "os responsos", o santo é invocado para achar coisas perdidas. Numa outra cerimônia, conhecida como trezena, os fiéis entoam cânticos, soltam fogos, e celebram com comes e bebes e uma fogueira com o formato de um quadrado. Essa festança acontece de 1° a 13 de junho.

Aqui no Brasil, ele é bastante popular. Inúmeras prestações de homenagem ao santo são vistas em nomes de pessoas, praças, igrejas e localidades. Não é por coincidência que o Dia dos Namorados seja comemorado na véspera do Dia de Santo Antônio, ao menos aqui no Brasil e ao contrário de outros países, que comemoram essa data no dia 14 de fevereiro, dia de São Valentim.

Para que sejam atendidos os pedidos de casamento, surgiram diversas crenças e simpatias para incentivar Santo Antônio. O bolo de Santo Antônio é tradicional nas igrejas católicas que distribuem aos fiéis que querem fugir da vida de solteiro. Outros apelam para algo mais drástico: virar a imagem do santo de ponta-cabeça e afogá-lo num copo de água enquanto a pessoa amada não surgir.

São João e as festas joaninas

Conta a história que, João, filho de Isabel e prima de Maria, mãe de Jesus, nasceu no dia 24 de junho. Nesse dia, Isabel pediu para levantar um mastro iluminado por uma fogueira em sua volta para anunciar à Maria o nascimento do seu filho.

João ficou conhecido como "João Batista" por ter batizado inúmeros judeus (e, mais tarde, o próprio Jesus) nas primeiras décadas da era cristã, mediante confissão dos pecados e banho no rio Jordão. É considerado o profeta que anunciou a vinda de Cristo.

Por sua história, São João é o principal santo comemorado nas festas juninas. Virou sinônimo da própria festa, pois muita gente sai para "comemorar o São João". No início, a Igreja denominava esses festejos de "festas joaninas", festas em celebração ao São João. Devido ao mês de sua celebração, em pouco tempo as “festas joaninas” viraram "festas juninas".

É considerado o "santo festeiro" e, de acordo com o folclore, permanece adormecido no seu dia para não cair na tentação de descer à Terra e brincar com os homens - afinal, se isso ocorresse, o mundo poderia acabar no fogo da sua grande alegria.

Conhecido também como protetor dos casados e enfermos, São João é celebrado, principalmente nas cidades da região Nordeste do Brasil. A sua fé pode ser comprovada nas inúmeras cidades com o seu topônimo (54 cidades em todo o Brasil, segundo o IBGE), nos nomes das pessoas e nas diversas crenças em torno do santo.

Reza a tradição que a fogueira de São João deve ter a forma de uma pirâmide com a base arredondada.

O mastro de São João

Conhecido em Portugal como o mastro dos Santos Populares, o mastro de São João é erguido durante a festa junina para homenagear os três santos celebrados durante o mês de junho. No topo de cada mastro, são colocadas bandeirinhas que simbolizam cada santo.

Segundo os católicos, o mastro relembra a passagem da história do nascimento de João Batista e da fogueira de Isabel. No entanto, historiadores acreditam que o ritual do levantamento do mastro tem a sua verdadeira origem na tradição do Maypole (em português, "Mastro de Maio" ou "Árvore de Maio"). Costume cultivado por muitos povos na Europa, o Maypole é uma forma de festejar a fertilidade e comemorar a abundância de alimentos.

São Pedro, é fim de festa

O guardião das chaves do céu e responsável pelas chuvas, São Pedro é também conhecido como o protetor das viúvas e dos pescadores. Segundo a Bíblia, seu nome original era Simão. Por muito tempo, ele viveu como pescador até que João pediu para que fizesse parte do grupo mais próximo de seguidores de Jesus Cristo. Logo, ele acabou se tornando um dos apóstolos e, por causa de sua liderança firme, Jesus deu-lhe o nome de Pedro (que significa "rocha").

Comemora-se o dia de São Pedro em 29 de junho. Tradicionalmente, é quando acabam os festejos juninos - embora nos dias atuais esteja se tornando comum as festas "julinas", que atravessam o mês de julho. É nesse dia que há a brincadeira do roubo do mastro de São João, que só é devolvido no próximo fim de semana. Outro costume: se alguém prender uma fita num homem chamado Pedro, essa pessoa deve dar um presente ou pagar uma bebida àquele que o amarrou.

A fogueira de São Pedro sempre tem formato triangular.

A origem das quadrilhas, a dança típica das festas juninas

Quadrilha é a dança típica das festas juninas mais recentes. Mas sabia que sua origem é muito antiga?

Muitos historiadores afirmam que a quadrilha teve origem na Inglaterra do século XIII e XIV. Naquela época, havia um estilo de dança camponesa muito popular entre os moradores das áreas rurais da ilha britânica.

Durante a Guerra dos Cem Anos, o contato entre a Europa e a Inglaterra influenciou o intercâmbio cultural. Assim, as chamadas country dances atravessaram o Canal da Mancha e se espalharam por diversas regiões europeias graças ao seu estilo animado e democrático.

Na França, ela encontrou o seu caminho nos salões da elite parisiense e ganhou ares nobres. O estilo ganhou o nome de contredanse a partir do século XVII e tinha presença obrigatória nas grandes festas, disputando espaço em popularidade com o minueto.

A quadrille surgiu no século XVIII derivada da contradança francesa. O nome é derivado do termo squadra, vocábulo italiano que significa companhia de soldados disposta em quadrado. Este nome foi dado, mais tarde, a um grupo de quatro pares, e de squadra passou para quadrille.

A quadrilha francesa, dança coreografada e encaminhada às ordes do maître de danse, era também uma dança de elite, a preferida para iniciar os bailes e festejos. Originou outras danças, como cielito e pericon na América do Sul, e o square dance nos Estados Unidos.

Com a chegada da corte real portuguesa ao Brasil na primeira metade do século XIX, ocorreu a introdução de costumes e elementos da cultura europeia. Nessa época, diferentes modalidades de contradanças eram praticadas nos bailes da Cidade do Rio de Janeiro, coexistindo melodias e coreografias distintas.

A quadrilha francesa teve uma boa aceitação em terras brasileiras. Originalmente, foi trazida por mestres de orquestras que tocavam músicas de Musard e Tolbecque, os inventores das quadrilhas. Compositores brasileiros reinventaram as músicas e, a partir daí, espalhou pelo Brasil. Em pouco tempo, variações da quadrilha surgiram, como a "quadrilha caipira" no interior paulista, o "baile sifilito" na Bahia e Góias, a "saruê" do Brasil e a "mana-chica".

Na quadrilha atual, os participantes, aos pares, obedecem às marcas ditadas por um organizador de dança. Essas marcas ou ordens, em geral, são palavras de origem francesa que foram aportuguesadas.

O instrumento tradicional das quadrilhas é a sanfona.

Alguns comandos típicos das quadrilhas
  • A ponte caiu – Os cavalheiros, sem largar as mãos das damas, fazem meia-volta e seguem a marcha na frente das damas.
  • Anavantur - Cavalheiros tomam as damas e andam de mãos dadas até o centro do salão, encontrando-se com a fila da frente.
  • Anarriê - Os pares, ainda de mãos dadas, voltam em marcha-à-ré até o ponto em que estavam e se separam, ficando cavalheiros em frente às damas.
  • Aí vem chuva – Todos fazem meia volta, marchando em sentido contrário.
  • Balancê com o par do vis a vis - Seguem somente os cavalheiros e ao se encontrarem com as damas, vão entrelaçando o braço direito no braço direito da dama. Dão duas voltinhas e retornam a seus lugares, ficando de frente para o par.
  • Caminho da roça – Damas na frente, cavalheiros atrás, percorrem todo o salão, voltando aos seus lugares.
  • É mentira - Nova meia volta. Continuam marchando em roda.
  • Granmuliné - Os pares ficam à vontade, fazendo brincadeiras e algazarras.
  • Olha o túnel - O par-guia dá as mãos, levanta-as à altura dos ombros. O par próximo ao guia passa por baixo, e coloca-se ao lado, na mesma posição. Todos os demais pares fazem o mesmo.
  • Otreofá - Outra vez.
  • Sangé - Os cavalheiros rodam as damas pela sua esquerda, passando-as para trás e a cada sinal do marcador, largam as mãos das mesmas e vão pegar as da sua frente até chegarem aos pares certos.

Para mais comandos das quadrilhas juninas, acesse o site da EBC.

As bandeirinhas e a purificação dos santos

Originalmente, os “banhos de santo” eram procissões que levavam a imagem de São João, e de outros santos, para ser banhada em rios, cachoeiras ou mar. Essa é uma tradição de origem ibérica que veio ao Brasil junto com os portugueses.

Em muitos lugares, o ritual era feito com bandeirolas coloridas com as imagens dos três santos homenageados nas festas juninas e com frases com significado religioso. Ao imergir as imagens na água, elas estariam purificadas. Do mesmo modo, as pessoas com muita fé podiam “limpar” a sua alma se banhassem nas mesmas águas.

Com o decorrer do tempo, essas bandeirolas adentraram aos salões das festas, perderam tamanho e ganharam cores. Viraram as famosas bandeirinhas que enfeitam as festas juninas.

Um dos principais símbolos das festas juninas, as bandeirinhas inspiraram um famoso artista no Brasil. Marca registrada do pintor ítalo-brasileiro Alfredo Volpi, as bandeirinhas estão presentes nas suas telas mais conhecidas. As principais características das suas obras foram o uso de muitas cores e a mistura do abstrato e formas geométricas. O seu estilo único deu-lhe a fama e o Prêmio de Melhor Pintor Brasileiro na 2ª Bienal de São Paulo.

Principais costumes juninos

- Bacarmateiros: de origem militarista, a tradição leva às ruas batalhões de pessoas vestidas de "azuarte" (roupa de brim azul índigo que lembra o jeans) empunhando seus bacamartes, armas semelhantes às antigas granadeiras. Costume centenário que passa de geração em geração, conhecido também como "festa da volta", sua origem está nas tropas sertanejas que lutaram na Guerra do Paraguai.

- Balão junino: embora não seja bem visto atualmente por conta do perigo de incêndio, os balões "enviam" os pedidos ou agradecimento dos fieis a São João no céu. Quando o balão sobe, é sinal de que a graça será alcançada.

- Casamento na roça: a encenação junina já foi levada a sério no interior do Brasil. Em lugares remotos, onde não havia padres disponíveis, padrinhos, noivos e seus respectivos pais se reuniam em volta da fogueira junina e realizavam a cerimônia. A união era socialmente aceita e recebia a benção da igreja quando um padre passasse pelo lugar.

- Fogos de artifício: uma lenda curiosa diz que devemos soltar fogos de artifício no dia 24 de junho para acordar São João. O costume é lembrado na cantiga Capelinha de Melão: "Capelinha de Melão é de São João / É de Cravo é de Rosa é de Manjericão / São João está dormindo / Não acorda não / Acordai, acordai, acordai João".

- Pão de Santo Antônio: as igrejas católicas distribuem no dia de Santo Antônio o pão. Ele deve ser guardado junto com outros mantimentos na cozinha. Assim, não faltará comida em casa.

- Pau-de-sebo: de origem portuguesa, o objetivo é subir até o topo de uma tora de madeira lambuzada de sebo ou graxa. Quem consegue alcançar o topo, ganha uma prenda.

- Roubo da bandeira: "afanar" a bandeira posta nas frentes das casas é uma brincadeira muito popular. No dia seguinte, o dono da casa recebia um bilhete dos autores do roubo, que prometiam devolver a bandeira na véspera do dia de São Pedro.

O significado do fogo nas festas juninas

O fogo tem um significado muito importante desde os tempos mais remotos.

Antes da era cristã, os povos antigos utilizavam as fogueiras para espantar os maus espíritos e entidades que trouxessem pestes e estiagens. O fogo celebrava a fertilidade e a fartura.

Com o advento do cristianismo na Europa, a continuidade das festas do fogo começaram a incomodar a Igreja. As primeiras tentativas de erradicar as celebrações pagãs foram feitas por iniciativa de monges e bispos obstinados em acabar com todos os ritos pré-cristãos.

Apenas no Concílio de Trento, a igreja entendeu que seria impossível acabar com as fogueiras. A solução: tornar as fogueiras de solstício em fogueiras eclesiásticas, que logo se tornariam símbolo da Inquisição. Ela ganhou um significado baseado na história de São João Batista. Na verdade, João, aquele que purificava os judeus pecadores no rio Jordão, representa os elementos que governam as cerimônias solsticiais (o fogo e a água). Nos Evangelhos, João pronuncia as seguintes palavras: "eu utilizo a água, mas aquele que vier depois de mim batizará com fogo".

Devido à importância emblemática nos festejos, os portugueses incorporaram as fogueiras às festas de junho. Logo, surgiu uma história acerca do seu significado: o fogo representa o anúncio do nascimento de São João. Conta a história que Isabel acendeu uma fogueira para avisar a Virgem Maria sobre o nascimento do seu filho, João.

As simpatias e crenças

O período junino está recheado de simpatias, sortes e adivinhações. A lista é bastante extensa, mas selecionamos as mais curiosas e apresentamos logo abaixo:

  • A pessoa que cravar uma faca no caule de uma bananeira poderia ver as iniciais da pessoa amada e futuro cônjuge.
  • Coloque o nome dos pretendentes em pedacinhos de papel. Enrole-os e atire-os numa bacia com água. O primeiro papelzinho que se abrir será o do seu futuro marido.
  • Da mesma forma, escreva uma letra do alfabeto num pedaço de papel e jogue tudo numa bacia com água. O primeiro papel que se abrir na manhã seguinte será a inicial do nome do futuro marido.
  • Na véspera do dia de Santo Antônio, coloque uma nota debaixo do colchão. Na manhã seguinte, pegue a nota e dê a nota para o primeiro mendigo que encontrar na rua. Pergunte o seu nome. Você se casará com uma pessoa de mesmo nome.
  • Pegue uma imagem de Santo Antônio e diga-lhe que, enquanto não arrumar um namorado, ele não sairá da geladeira. Guarde a imagem no congelador até que o santo resolva o seu problema.
  • Pegue três pedaços de papel e escreva dos pretendentes (um nome diferente em cada papel). Misture-os e guarde um dentro do fogão, coloque outro debaixo do travesseiro e jogue o último na rua. Na manhã seguinte, pegue o papel que está debaixo do travesseiro e abra-o: ele será o seu futuro marido.
  • No dia de Santo Antônio, pegue três copos: um vazio, outro com água e o terceiro com terra. Peça a um amigo ou amiga para vendar os seus olhos e coloque uma aliança nas suas mãos. Sem saber, o seu amigo ou amiga trocará a posição dos copos. Solte a aliança num dos copos. Se cair no copo vazio, você não se casará nesse ano. Se cair no copo com água, você vai namorar em breve. Se cair no copo com terra, logo você se casará com um homem cheio de posses e maduro.
  • Plante um dente de alho e faça um pedido. Se amanhecer brotado, seu pedido será realizado.
  • Na véspera de São João, encha a boca de água e fique atrás de uma porta. O primeiro nome que ouvir será do seu futuro namorado ou namorada.
  • Prepare uma panela de canjica e coloque dentro dela uma aliança. Sirva as moças presentes. Quem encontrar a aliança será a próxima a se casar (só tome cuidado para não engolir a aliança).
  • Coloque duas agulhas de tamanhos semelhantes num recipiente com água e duas colheres de açúcar. Se no dia seguinte as agulhas estiverem juntas, o casamento está próximo.
  • Para saber quem morrerá primeiro, pegue dois pedaços (um grande e outro menor) de carvão da fogueira de São João. Coloque-os numa bacia com água. Se o maior carvão afundar, o marido morre primeiro. Se os dois pedaços afundarem, o casal morrerá junto. Mas se os dois pedaços boiarem, o casal viverá por muitos anos.
  • No dia de São Pedro, coloque dentro de um copo com água a chave da porta de entrada da sua casa ou empresa, e diga: "São Pedro, proteja minha casa (ou empresa), assim como protege de intrusos o céu; afaste todo e qualquer mal da minha casa e com a ajuda do anjo guardião, não deixe entrar nenhum ladrão".
  • Antes da reunião de amigos, coloque um prato com flores e outro prato com água na mesa. Quem ficar perto das flores, é sinal que vai se casar em breve. Quem ficar perto da água, fará uma viagem.

Última atualização: maio de 2017