Reciclagem: garrafas PET

 

As lixeiras na cor vermelha são destinadas para a coleta de plástico reciclável.

O padrão de cores para resíduos recicláveis no Brasil foi estabelecido pela Resolução Conama nº 275/2001.

 

História do PET

O politereftalato de etileno (PET) é um polímero que revolucionou o mundo das embalagens e fibras sintéticas. O surgimento desse produto se deve ao desenvolvimento do plástico, conforme o resumo a seguir.

Os primeiros plásticos

Segundo alguns historiadores, o plástico surgiu em 1856, ano em que o químico inglês Alexandre Pakers solicitou as patentes derivadas de suas pesquisas sobre as propriedades do nitrato de celulosa. Como resultado do seu trabalho, ele desenvolveu um tipo de resina chamada de parkesina que, mesmo em estado sólido, era flexível e leve, apresentava ótima resistência à água e poderia ser colorida.

Em 1870, o inventor americano John Wesle Hyatt criou o processo de fabricação da celulóide, a primeira matéria plástica artificial.

No início do século XX, o químico alemão Hermann Staudinger iniciou uma pesquisa sobre as propriedades dos isoprenos, um composto orgânico que é base da fabricação da borracha. Em 1922, a pesquisa dele descobriu que os polímeros são na verdade moléculas gigantes (macromoléculas) que são mantidas juntas por ligações covalentes normais. Na época, esse conceito encontrou muita resistência no meio científico.

As pesquisas baseadas nos estudos de Staudinger mostraram que pequenas moléculas formam longas estruturas em forma de cadeia (polímeros) por interação química ao invés de agregação física. Essas estruturas podem ser sintetizadas por vários processos e possuem a capacidade de manter suas propriedades originais mesmo quando sofrendo modificações químicas.

Nascimento do PET

Os químicos britânicos John Rex Whinfield e James Tennant Dickson registraram a patente do politereftalato de etileno (PET), em 1941, com o apoio da pesquisa de Wallace Carothers, reconhecido pelo seu trabalho sobre fibras de nylon na DuPont.

A descoberta ocorreu em plena Segunda Guerra Mundial. Naquele momento, os países sofreram um forte desabastecimento de algodão, lã e linho. Esse cenário levou a indústria a procurar alternativas para essas matérias-primas e viu o PET como uma possível saída.

Somente em 1973, Nathaniel Wyeth desenvolveu a primeira garrafa PET com o advento do processo de injeção e sopro para conceder uma forma rígida ao plástico.

PET como material reciclável

Embora a reciclagem não fosse a grande preocupação para Wyeth na época em que patenteou o seu processo, as garrafas de refrigerante PET foram recicladas pela primeira vez, em 1977. No início da década de 1980, os EUA e Canadá iniciaram a coleta dessas garrafas PET para reutilizar na produção de enchimento de almofadas.

Com o tempo, houve uma melhoria da qualidade do PET reciclado e redução nos custos de produção. Dessa forma, o material ganhou espaço no setor industrial e passou a ser amplamente utilizado na fabricação de tecidos e embalagens plásticas.

PET no Brasil

No Brasil, as embalagens PET começaram a ser usadas pela indústria têxtil e de embalagens apenas a partir da década de 1980.

Em 1993, começou a ser utilizado na indústria de bebidas por conta do seu baixo custo de produção, praticidade e leveza. Rapidamente, o PET substituiu a garrafa de vidro retornável que era bastante comum na época.

Aplicações do PET na indústria

Por ser um termoplástico, o PET pode ser derretido e moldado inúmeras vezes quando aquecidos sem perda de qualidade. Essa característica torna o PET um material de grande valor econômico para a indústria da reciclagem.

Em relação às garrafas PET, esse material oferece muitas vantagens. São leves, o que permite um fácil manuseio em relação, por exemplo, ao vidro.

Além disso, o uso de embalagens PET oferece segurança. Por ser um material resistente, há menos perda de produtos devido a impactos ou quedas durante o transporte em comparação a outros tipos de embalagem.

 

O PET é utilizado em vários setores produtivos:

  • Indústria automobilística: carpetes para veículos, parachoques, elementos de painel de carros, tampas de bagageiro e materiais termoacústicos usados nas forrações em geral. O PET reciclado também é usado na fabricação de assentos de ônibus e trens.
  • Indústria de embalagens: o PET reciclado pode ser transformado em isopores, garrafas e embalagens diversas para o acondicionamento de produtos industrializados.
  • Indústria eletrônica: algumas carcaças de aparelhos eletrônicos e telefones celulares.
  • Indústria química: o PET pode ser usado na fabricação de tintas e vernizes.
  • Indústria têxtil: desde a produção de roupas até mantas e moletons para o inverno.
  • Construção civil: tubos e conexões, torneiras, caixas para armazenamento de água, calhas, telhas, mármore sintético, chapas plásticas e pastilhas feitas com a resina PET para revestimento de paredes (semelhantes às pastilhas de vidro).
  • Produção de cerdas: para escovas de limpeza, vassouras e cordas sintéticas (como aquelas usadas para o varal).
  • Sinalização viária: placas de trânsito e sinalização horizontal ("tartarugas").
  • Produtos em geral: porta-objetos diversos, potes, luminárias, móveis, objetos de decoração, vasos para plantas, utensílios de cozinha, material de escritório e muito mais.

 

Impactos no meio ambiente

Apesar do plástico ter diversas aplicações importantes, o descarte desse material está provocando severas consequências ao meio ambiente.

Poluição das águas

Segundo a ONU, são produzidos cerca de 300 milhões de toneladas de lixo plástico num único ano em todo o planeta. Milhares de produtos em garrafas plásticas são compradas a cada minuto e até 5 trilhões de sacolas plásticas são consumidas por ano, no mundo inteiro.

Ao atingir leitos de rio e oceanos, o plástico pode se tornar um contaminante de águas e seres vivos. Anualmente, 8 milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos, segundo a WWF.

Se as tendências atuais continuarem, os oceanos poderão conter mais plástico do que peixes até 2050.

Reflexos na saúde

Junto com outros resíduos descartados de forma indiscriminada, as garrafas PET e embalagens plásticas são responsáveis pela poluição de córregos, entupimento de sistemas de esgoto e enchentes nas temporadas mais chuvosas.

Por ser um material de decomposição extremamente lenta (ele permanece por séculos no meio ambiente), o plástico jogado na natureza não é apenas uma questão de limpeza pública. Ele contribui para a proliferação de mosquitos e a propagação da dengue.

Uma vez que partículas minúsculas (microplásticos) desse material estão presentes na água que bebemos e na carne de peixes e animais de fazenda. Por isso, não é exagero afirmar que estamos comendo plástico sem saber.

 

Sobre a reciclagem do PET

Segundo artigo do site CicloVivo, o último Censo da Reciclagem do PET revelou que o Brasil reciclou 55% das embalagens de PET, em 2019. Isso significa o reaproveitamento de 311 mil toneladas, 12% acima do calculado em 2018, e um faturamento de R$ 3,6 bilhões.

Esse número pode ser considerado baixo. Como efeito de comparação, a reciclagem de latas de alumínio é superior a 90% segundo dados da Abralatas - Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade.

Do ponto de vista econômico, a reciclagem de embalagens PET desenvolveu uma indústria que movimenta muito dinheiro. Em 2011, o Brasil consumiu mais de 572 mil toneladas de embalagens plásticas produzidas com resina PET, segundo o Panorama do Setor - CEMPRE. Ela é responsável pela geração de renda e empregos na indústria e nas cooperativas de catadores.

Além disso, a produção de plástico derivado da reciclagem de embalagens PET permite o consumo menor de energia e derivados do petróleo.

A indústria também está aumentando o processo de despolimerização, recuperando as matérias-primas utilizadas na produção inicial das embalagens plásticas. Essa técnica é conhecida como "bottle-to-bottle".

 

 

Ilustração de pessoas praticando atividades de limpeza e reciclagem.

[Fonte: Freepik]

 

Como separar o PET para a reciclagem

  • A embalagem deve estar completamente vazia e limpa. Para isso, basta usar um pouco de água para tirar qualquer resíduo ou sujeira. Use, de preferência, água de reuso.
  • Remova os adesivos e rótulos. Eles dificultam o processo de reciclagem.
  • Caso tenha um grande número de garrafas, amasse-as para diminuir o seu volume e ocupar menos espaço em casa.

 

Pontos de coleta de materiais recicláveis

Existe uma ampla rede de pontos de coleta em São Paulo. Eles estão presentes nos mercados, redes de atacado, shoppings, ecopontos, lojas de material de construção, órgãos públicos e outros pontos de grande circulação de pessoas.

Você também pode entrar em contato com cooperativas de reciclagem e combinar um dia para a coleta.

 

Conheça os endereços dos pontos de coleta e cooperativas:

 

Processo de reciclagem do PET

Uma vez coletadas, as embalagens PET são separadas por cor e prensadas para facilitar o transporte. Isso permite a uniformidade da tonalidade do plástico durante o processo de reciclagem, o que garante um maior valor no mercado de novas embalagens.

Após a separação inicial, as embalagens PET são trituradas em grandes máquinas. O processo resulta na produção de flocos de plástico.

Após um processo de lavagem e descontaminação, os flocos limpos são vendidos para as indústrias de transformação. Nessa etapa, os flocos de plástico são derretidos e moldados em novas embalagens e produtos.

 

Dicas de reutilização do PET

Vistas como um grande problema, as embalagens PET também podem ser uma grande solução. Com criatividade e um pouco de esforço, esse plástico pode ser reaproveitado de inúmeras maneiras em casa ou como matéria-prima para fabrição de diversos objetos de artesanato.

 

Horta caseira vertical - utilize as garrafas usadas como recipiente para o cultivo de uma pequena horta em sua casa.

Parede coberta com diversas garrafas PET: uma ideia de horta caseira.

 

Vaso pequeno - use sua criatividade para fazer pequenos recipientes para plantas pequenas e suculentas.

Vasinho para plantas feito com garrafa PET.

 

Porta-trecos - uma excelente ideia para organizar pequenos itens da sua casa.

Porta-trecos feitos com embalagens PET.

 

Estojo - aprenda a criar um estojo de garrafa PET para o transporte de pequenos objetos.

Porta-trecos feitos com embalagens PET.

 

Luminária ecológica - junte 100 garrafas PET e crie essa luminária para decorar a sua casa.

Luminária feita com diversas garrafas PET.

 

Pinguim - aprenda a criar esse bichinho de garrafa PET para dar de presente para as crianças.

Pinguim feito com garrafa PET.

 

Prancha ecológica

Conheça esse projeto, criado pelo surfista gaúcho Jairo Lumertz e sua mulher, Carolina Scorsin. Além do incentivo ao esporte, a iniciativa ensina sobre a importância da reciclagem para mundo mais sustentável.

Mais informações

Página atualizada em setembro de 2020

A imagem mostra um boneco vermelho com cara de confuso

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