Como checar informações na internet

Você acreditaria no título de notícia abaixo?

 

“Pesquisadores afirmam que comer em pé emagrece mais rápido”

 

Nos dias atuais, somos expostos a uma grande carga de informações. Rádio, jornais, televisão, revistas e redes sociais contribuem com esse cardápio farto de fatos e conteúdos que consumimos todos os dias. Se por um lado essa multiplicidade de canais e informações tem um lado positivo, por outro lado ficamos mais expostos à desinformação, boatos, tentativas de golpe e opiniões tendenciosas.

A internet se constitui um dos principais meios para o acesso às informações do cotidiano. Cada vez mais usamos dispositivos móveis para isso. Segundo pesquisa do Google , 63% das pessoas utilizam celulares e smartphones para se manter informadas.

Diante desse cenário, saber lidar com os conteúdos é importante também para a segurança de dados pessoais. Afinal, estamos expostos a inúmeras ameaças digitais. Estima-se que mais de 400 milhões de computadores no mundo foram infectados por vírus, segundo dados de 2014 . Também há muita gente que não entende os riscos de vírus para tablets e smartphones - sim, eles podem ser infectados e todos os seus dados podem ser roubados.

Dessa forma, é importante saber como lidar com as informações e agir com cautela ao receber imagens e arquivos. A seguir, apresentamos uma lista de orientações básicas sobre segurança na rede e como utilizar a internet para ficar bem informado sem correr maiores riscos.

Recomendações gerais

Lenda urbana, boato, desinformação, hoax ("embuste", numa tradução literal do inglês) ou teoria conspiratória. Há diversas formas que buscam confundir e manipular os leitores desavisados.

Saber a veracidade de uma informação é importante, mas para um usuário de internet mais experiente, há alguns elementos no próprio texto que já indicam que o conteúdo é enganoso:

  • Textos acompanhados por fotos que provocam comoção, nojo ou indignação. Em geral, este tipo de imagem é fruto de uma montagem.
  • Erros gramaticais ou ortográficos em excesso, argumentos repetitivos e mesmo contradições.
  • Citações de nomes de pessoas renomadas, instituições, marcas, etc., a fim de dar um ar de credibilidade à história que é contada.
  • Oferecimento de recompensas ou doações bem generosas por parte de empresas, e que ninguém recebe. Caso se trate de alguma promoção, esta terá regulamento divulgado na página oficial da empresa.
  • Inexistência de data no texto. Isso faz com que um boato volte a circular de tempos em tempos, causando o mesmo efeito nas pessoas com medo, indignação, etc.
  • Pedidos para repassar a mensagem para o maior número possível de pessoas. Alguns são acompanhados até de “maldições”, caso a pessoa não atenda ao pedido.

Conhecer a autoria da informação ajuda a reconhecer a veracidade do seu conteúdo. Por isso, preste atenção em alguns detalhes:

  • Quem é autor desta informação? Pode não ser o responsável pela divulgação ou compartilhamento. Seu amigo, por exemplo, pode ter repassado uma notícia ou boato para você, mas isso não quer dizer que ele tenha sido o autor.
  • A informação resulta da opinião pessoal de alguém ou é de alguma instituição específica?
  • A origem do conteúdo é conhecida?
  • A informação não contém erros?
  • Qual a real data da publicação do conteúdo? Pode não ser a data em que a divulgação foi feita. Muitas vezes, um boato ou lenda surge de tempos em tempos, travestida como algo recente.

E-mails

  • Cuidado com os Spams, e-mails não solicitados que, geralmente, são enviados para um grande número de pessoas. Essas mensagens se apresentam de diversas formas: propagandas, correntes, boatos, lendas urbanas, pornografia, etc. Embora a maior parte seja apenas propaganda inconveniente, evite abri-los no seu computador, pois podem conter vírus ou códigos maliciosos que podem comprometer a segurança e a privacidade.
  • Spams também são iscas para o phishing (termo oriundo do inglês "fishing" que significa pescaria), um tipo de fraude muito comum. Geralmente, eles são formatados como mensagens e avisos de bancos, órgãos do governo, Receita Federal, SERASA, SPC, lojas, operadoras de cartões de crédito, etc. Eles tentam convencer a vítima com informações sobre pendências com o órgão e que, para resolvê-los, é necessário clicar em algum link que o leva para uma página falsa onde os dados da pessoa são roubados.
  • Desconfie sempre de mensagens com expressões do tipo “URGENTE” e “LEIA ESTA MENSAGEM”, em letras garrafais, coloridas ou com muitas exclamações. Da mesma forma, cuidado com mensagens que dizem ter fotos reveladoras sobre sua pessoa ou alguém próximo.
  • Nunca salve arquivos ou execute programas que seguem junto com as mensagens de remetentes desconhecidos. Esses arquivos podem conter algum tipo de "Cavalo de Tróia", um tipo de programa que se instala no computador para roubar dados pessoais e senhas.

Redes sociais

  • Boatos e informações falsas nas redes sociais possuem um enorme potencial de alastramento. Cuidado para não ser vítima desse tipo de conteúdo ou contribuir para a desinformação geral.
  • Se duvidar da veracidade de uma informação, procure confirmar em outros sites ela é reproduzida. Nessas horas, o Google (ou qualquer outro site de pesquisa) é o melhor aliado.
  • Verifique não apenas “quantos falam” sobre o assunto, mas fique de olho também em “quem está falando”. Muitas pessoas criam perfis falsos ou temporários para disseminar informações falsas ou notícias mal apuradas. Também verifique se a informação é divulgada pelos perfis de grandes portais de notícias, sites de conteúdos consagrados ou perfis institucionais.
  • Uma pessoa pública ou instituição (seja governamental, privada ou independente) foi citada? Verifique se a informação foi divulgada nos seus sites ou perfis oficiais.
  • Atente-se, por exemplo, às histórias de pessoas acometidas por alguma doença rara e muito grave, cujo caro tratamento pode ser financiado simplesmente através de “curtidas” ou compartilhamentos daquele texto. Cheque antes sua procedência.
5 possíveis consequências de um boato (hoax) ou notícia falsa
  1. Gera constrangimento, ofensa e compromete a reputação e imagem da pessoa ou instituição. Lembremos que desmentir boatos é muito mais difícil. O impacto da mentira ou do equívoco é sempre maior.
  2. Pode acarretar uma comoção desnecessária, assim como gerar mobilização para situações irreais ou já superadas. Em alguns casos, o boato pode levar até a situações extremas e criminosas.
  3. A mensagem pode transmitir orientações prejudiciais, como procedimentos incorretos em situações de emergência ou dicas de saúde sem comprovação científica.
  4. Mensagens do tipo podem sobrecarregar serviços de e-mail ou gerar incômodos em redes sociais por causa da frequência com a qual são divulgadas.
  5. Há boatos que também podem induzir o usuário a baixar um arquivo perigoso (malware) ou convencê-lo a informar dados que, na verdade, poderão ser utilizados para ações maliciosas, como uma falsa petição on-line que pede informações confidenciais.

Imagens

Vez ou outra você recebe, através das redes sociais, notícias bombásticas ou dicas imperdíveis, acompanhadas por fotos, a fim de dar mais “credibilidade”. Pode ser algo na linha do “se você encontrar esse criminoso, denuncie à polícia” (com a foto do suposto meliante), “veja o absurdo desse caso ocorrido em São Paulo” (geralmente exibindo uma imagem escondida, como num flagrante) ou “essa garota emagreceu 30 quilos em um mês: descubra o seu segredo” (com as costumeiras fotos do “antes e depois”).

A máxima “uma imagem vale mais do que mil palavras” é bem conhecida. Entretanto, numa realidade em que é muito fácil realizar montagens e alterações nas fotos por meio de programas de edição de imagens, é preciso ser precavido e evitar tirar conclusões precipitadas.

  • Não é preciso ser um perito em imagens. Qualquer pessoa um pouco mais atenta aos detalhes pode identificar indícios de alteração de fotos. Para isso, procure por sombras que não apareceriam em condições normais, cortes abruptos e elementos que parecem ter sido “colados” junto a outros para parecerem uma imagem original, entre outras pistas.
  • Ocorre também que a imagem tenha sido “roubada” de uma outra situação. Uma notícia falsa pode se valer de fotos caçadas na internet para simular um fato real e, na grande maioria das vezes, não ter nenhuma relação com ele. Roubar imagens também é prática comum dos perfis falsos, chamados de “fakes”, em redes sociais.
  • Procurar saber se uma foto foi “fisgada” de outra fonte não é difícil. Você pode usar, por exemplo, o Google Imagens . Se o resultado da pesquisa for diversas imagens iguais, espalhadas por diversos outros endereços (urls), tenha a certeza de que essa imagem certamente já foi amplamente utilizada e o melhor: é possível investigar quando e sob quais condições e razões ela aparece. Se, por acaso, a imagem for a foto de uma pessoa e no resultado da pesquisa surgirem fotos com nome de outra pessoa, é sinal de que alguém está mentindo.

Desconstruindo uma notícia

A grande dica é: não se deixe enganar por títulos sensacionalistas. Antes de comprar a história e passá-la à frente, ligue o desconfiômetro e faça uma verificação das fontes da notícia.

“Mas eu não vi só na internet, saiu na TV também. Isso quer dizer que é verdade mesmo, não é?”. Não necessariamente! Grandes veículos de comunicação - que englobam rádio, TV, jornais e revistas - embora tenham melhores condições para apurar suas informações, também podem errar.

Outra questão é o direcionamento da notícia. Os fatos relatados podem ser até reais, mas a forma com que são apresentados e as opiniões sobre eles (principalmente se forem usados os conceitos de “certo” e “errado”, “justo” e “injusto”) podem ser tendenciosos e refletir uma certa manipulação para um determinado lado em detrimento do outro. Procure trocar de canal ou publicação e reparar se as notícias ou opiniões são apresentadas do mesmo modo. Até mesmo uma manchete pode ser escrita de um modo a parecer uma coisa e, no entanto, seu conteúdo expõe algo completamente diferente.

Tenha cuidado ainda com as interpretações das notícias, que podem ser até mais danosas que as próprias. Como na brincadeira do telefone sem fio, uma mensagem vai passando de uma pessoa para outra e ganhando detalhes que não constavam da versão original. A fofoca também funciona do mesmo jeito, pois “quem conta um conto, aumenta um ponto”. Por isso, tome cuidado com interpretações duvidosas, teorias conspiratórias muito fantásticas e coisa que “alguém ouviu falar”, mas cuja origem não foram checadas.

Espírito crítico não se forma da noite para o dia, de repente. É fruto de um processo educativo que costuma ser mais longo (cuja parte mais importante passa pela formação escolar), mas também surge da curiosidade e vontade de investigar o que há por trás dos fatos que são apresentados a você. É preciso se informar através das mais diversas fontes e comparar as opiniões existentes para, daí, tirar suas próprias conclusões.

As três manchetes do começo do especial são fictícias. Mas, independentemente das pessoas, locais e situações ocorridas, o formato e construção de manchetes e notícias é bem corriqueiro. Vemos coisas parecidas a todo momento. No quadro seguinte, você verá uma forma de analisar e desconstruir aquelas manchetes e pegar seus “furos”.

Sites especializados em desmascarar boatos

Alguns sites são especializados em divulgar e esclarecer as farsas mais frequentes do mundo virtual, sejam elas enviadas por e-mail ou publicadas em redes sociais. Seguem alguns exemplos:

Sites de humor que simulam portais de notícia

Tratam-se de sites que têm como objetivo fazer humor simulando noticiários reais; muito em voga atualmente. Neles não há a intenção de enganar ou ludibriar as pessoas, pois eles próprios anunciam claramente que as notícias divulgadas são inventadas.

O formato é muito semelhante a um site de notícias verdadeiro: diagramação, fotografias, estrutura de textos e entrevistas, etc. Porém, os fatos e opiniões relatados nas “notícias” são tão absurdos, que a primeira reação é não acreditar no conteúdo, mas achar graça dele. Muitas vezes, o tom dos textos é irônico, além de fazer crítica social e política.

Porém, na medida em que são repassadas e compartilhadas sem a apresentação do seu contexto, pode levar a certos enganos; ou seja: alguém desprevenido, que não está a par dos acontecimentos, pode achar que é verdade. Nesses casos, é sempre bom reforçar qual é objetivo do site.

Veja os mais conhecidos:

Última atualização: setembro de 2015