Carreira técnica e tecnológica

Se você está pensando em qual carreira profissional seguir ou possui o objetivo de dar uma virada profissional, já deve ter feito a si mesmo a seguinte pergunta: qual curso ou faculdade fazer?

Quando se tenta encontrar a resposta, a maior parte das pessoas prefere buscar cursos de licenciatura ou bacharelado. Entretanto, além do bacharelado, existe outra modalidade de ensino que também pode ser interessante e recompensadora: a carreira técnica e tecnológica.

Muitos desconhecem que podem optar por uma formação técnica de ensino médio ou formação superior em tecnologia. No Brasil, existem cursos de excelente qualidade e, em determinados setores, muita demanda por profissionais capacitados com salários bastante atraentes.

A formação profissional também pode acontecer durante o próprio ensino médio, através dos cursos técnicos. Para aqueles que querem partir para uma preparação profissionalizante um pouco mais cedo, a recompensa pode ser a de trabalhar na área escolhida e uma boa vantagem competitiva no mercado de trabalho em relação a outros candidatos.

As modalidades de ensino no Brasil

Além das modalidades de ensino de formação básica (ensino infantil, fundamental, médio e especial), existem as modalidades de ensino que formam profissionais e especialistas dentro de áreas específicas do conhecimento que são definidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB.

  • Educação Profissional Técnica de Nível Médio: voltada para a formação profissional inicial de alunos que estão cursando ou já concluíram o ensino médio.
  • Educação Profissional e Tecnológica: são cursos de educação profissional de formação inicial, de nível médio ou superior, organizados dentro de áreas de atuação especializadas.
  • Educação Superior: abrange todos os cursos de graduação, pós-graduação, licenciatura e de extensão universitária que formam profissionais e pesquisados em diferentes áreas do conhecimento.

Cenário recente do mercado de trabalho para técnicos e tecnólogos

No Brasil, houve o registro de 1.859.004 matrículas em cursos de educação profissional em 2014, segundo o conjunto de dados das Sinopses Estatísticas da Educação Básica do INEP, do Ministério da Educação. Somente no estado de São Paulo, o número de matrículas foi de 435.081.

Apenas as Escolas Técnicas (ETECS), do Centro Paula Souza, atendem mais de 211 mil estudantes em 139 cursos técnicos para os setores industrial, agropecuário e de serviços, incluindo habilitações nas modalidades semipresencial, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e especialização técnica.

Em relação ao ensino superior, segundo o censo educacional de 2014 do MEC/INEP, são 8.081.369 alunos matriculados em cursos de nível superior. Desse total, 1.029.767 foram matrículas em cursos tecnológicos.

Os números acima demonstram que os cursos de bacharelado são os mais procurados pelos estudantes. Além serem formações para carreiras mais tradicionais, também é necessário relacionar esses dados com a crescente oferta de cursos de nível superior nos últimos anos e a oferta programas de financiamento estudantil que facilitam o ingresso nas instituições particulares.

Por outro lado, isso resulta num aspecto negativo: em muitas áreas, o mercado fica saturado de profissionais, principalmente nas carreiras mais tradicionais. Por esse motivo, é um fator que contribui com a redução da taxa de empregabilidade, pois são profissões com maior concorrência.

No sentido contrário, o mercado de trabalho para técnicos e tecnólogos está carente de profissionais capacitados em muitos setores da indústria. Apesar do avanço significativo das políticas públicas a favor do ensino técnico e tecnológico nos últimos anos, o número de estudantes na área ainda é muito baixo em comparação com outros países.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), só 6% dos jovens fazem curso técnico no Brasil - enquanto que a média da OCDE é de 35%.

De acordo com um artigo do Portal G1, com base numa pesquisa da Page Group, estão em falta no mercado de trabalho os profissionais técnicos das seguintes áreas: automação industrial, mecatrônica, eletroeletrônica, qualidade, logística, manutenção mecânica e mecânica.

Em todas as etapas dos processos produtivos, a presença de técnicos e tecnólogos é muito importante. O que seria dos engenheiros e dos médicos sem os técnicos de suas áreas? A formação específica, e por vezes inovadora dos cursos tecnológicos, tem atendido a áreas que nem existiam há algum tempo, como é o caso da agroecologia. Atualmente, há uma grande expectativa de um futuro promissor para os tecnólogos em petróleo e gás, por conta da descoberta das reservas da camada pré-sal em águas brasileiras.

Como escolher um curso

Na hora de escolher o curso ideal, pesquise bastante.

Não pesquise apenas o valor da mensalidade ou a reputação da instituição de ensino, mas consulte atentamente a grade curricular do curso do seu interesse. Utilize as redes sociais e faça uma busca na internet sobre as aulas, os conteúdos das disciplinas e o mercado de trabalho atual. Em outras palavras, reúna o máximo de informações que possam garantir uma escolha correta.

No estado de São Paulo, conheça a oferta de cursos das principais instituições de ensino da área: Centro Paula Souza, Instituto Federal de São Paulo e Liceu de Artes e Ofícios.

Na seção de educação desse site, você encontra mais informações sobre cursos e instituições de ensino técnico e tecnológico disponíveis no estado de São Paulo.

Sugestões de carreiras técnicas oferecidas pelo Centro Paula Souza

Açúcar e Álcool

Profissional que atua no controle e na supervisão dos processos tecnológicos da produção de açúcar e álcool e subprodutos. Trabalha em usinas de açúcar e álcool, fazendas de cana-de-açúcar, empresas de combustíveis e órgãos públicos.

Enfermagem

Profissional que atua na promoção, prevenção, recuperação e reabilitação de pacientes em instituições hospitalares, ambulatoriais, clínicas, empresas, serviços sociais, serviços de urgência, unidades básicas de saúde, Programa Saúde da Família, home care (domicílio) e instituições de longa permanência para idosos.

Modalagem do Vestuário

Profissional responsável pelo planejamento e desenvolvimento de materiais têxteis de vestuário, atendendo às necessidades dos diversos públicos, utilizando técnicas de modelagem plana, moulage e digital.

Portos

Profissional que atua em diversas atividades relativas à operação portuária. Trabalha no agenciamento de embarcações e na logística portuária. Encaminha procedimentos de importação e de exportação, com base no regulamento aduaneiro. Planeja e controla a manutenção dos equipamentos eletromecânicos de operação portuária.

Programação de Jogos Digitais

Codifica programas, desenvolve e editora elementos sonoros e gráficos em duas e três dimensões, gerencia e presta suporte a jogos digitais.

[Lista de todas as opções de cursos técnicos do Centro Paula Souza]

Sugestões de carreiras tecnológicas oferecidas pelo Centro Paula Souza

Big Data no Agronegócio

O profissional é responsável pela captação e geração de dados de negócios agrícolas. A formação foi elaborada pelo Centro Paula Souza em parceria com a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia e com apoio de empresas como Intel, Totvs e SAP.

Cosméticos

O profissional é responsável pelo planejamento e supervisão da produção de cosméticos e produtos de higiene pessoal, perfumaria e processos relacinados.

Manutenção de Aeronaves

Oferecido pela Fatec de São José dos Campos, o curso forma profissionais que desejam atuar no planejamento e no controle dos serviços de manutenção de aeronaves e seus componentes.

Polímeros

Curso disponível nas Fatecs de Mauá, Sorocaba e Zona Leste (capital), visa a formação de profissionais dedicados à indústria do plástico, desde sua produção à fase de reciclagem.

Sistemas Navais

O profissional dessa área é responsável pelas atividades de desenho técnico e construção naval, processos relacionados ao gerenciamento de frotas e transporte hidroviário.

[Lista de todas as opções de cursos tecnológicos do Centro Paula Souza]

Origem da educação profissional no Brasil

O início da educação profissional no Brasil deu-se em 1909, quando o presidente Nilo Peçanha criou as Escolas de Aprendizes Artífices, através de decreto, por razões que ficam claras logo no começo do texto:

"Considerando: que o aumento constante da população das cidades exige que se facilite às classes proletárias os meios de vencer as dificuldades sempre crescentes da luta pela existência: que para isso se torna necessário, não só habilitar os filhos dos desfavorecidos da fortuna com o indispensável preparo técnico e intelectual, como fazê-los adquirir hábitos de trabalho profícuo, que os afastará da ociosidade ignorante, escola do vício e do crime; que é um dos primeiros deveres do Governo da República formar cidadãos uteis à Nação".

No site do MEC você tem acesso ao texto integral (inclusive com a ortografia da época) do Decreto nº 7.566, de 23 de setembro de 1909 que cria as primeiras escolas voltadas para o ensino profissional primário e gratuito.

No restante do mundo, o ensino técnico e profissional havia surgido no século 19, no auge da segunda revolução industrial, a partir da necessidade de formar mão-de-obra para as fábricas e para toda a cadeia produtiva da indústria que nascia. Apesar de, mesmo em 1909, não haver indústria formada no Brasil, o ensino técnico foi fundado com intenções quase filantrópicas, oferecendo uma possibilidade de melhoria de vida para os jovens das camadas sociais pobres e visando evitar situações de risco (vícios e crimes).

Foi com a Reforma Capanema (1931-1932) que realmente apareceu uma proposta efetiva para a formação de mão de obra qualificada para a produção. Com as leis orgânicas do ensino, eram criadas as escolas técnicas e a divisão do nível secundário de ensino em dois ciclos. O acesso ao ensino superior, para os concluintes dos cursos técnicos, no entanto, somente seria regulamentado pela Lei nº 1.821, de 12 de março de 1953 (“Lei de Equivalência”), regulamentada, por sua vez, pelo Decreto nº 34.330, de 21 de outubro de 1953.

Os cursos para a formação de tecnólogos tiveram a sua semente na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1961, que preconizava a organização de escolas ou cursos experimentais com currículo, método e avaliação mais flexíveis. Inicialmente, surgiram cursos na área da engenharia que buscavam a formação de um conhecimento mais prático.

Em 1969, era criado em São Paulo o Centro Estadual de Educação Tecnológica de São Paulo (que mais tarde passou a se chamar Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza), onde foram instalados cursos para a formação de tecnólogos.

Última atualização: agosto de 2017