Educação financeira

De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE e a Estratégia Nacional de Educação Financeira - ENEF, o conceito de Educação Financeira trata sobre o processo mediante o qual os indivíduos e as sociedades melhoram sua compreensão dos conceitos e produtos financeiros.

Com informação, formação e orientação claras, as pessoas adquirem os valores e as competências necessários para se tornarem conscientes das oportunidades e dos riscos a elas associados e, então, façam escolhas bem embasadas, saibam onde procurar ajuda e adotem outras ações que melhorem o seu bem-estar.

Assim, a Educação Financeira é um processo que contribui, de modo consistente, para a formação de indivíduos e sociedades responsáveis, comprometidos com o futuro.

Não confunda com técnicas ou macetes para ganhar dinheiro!

A educação financeira está relacionada à capacitação do indivíduo na tomada de decisões apropriadas voltadas para a gestão das próprias finanças. Significa usar o dinheiro disponível com consciência e responsabilidade.

Num período de orçamento apertado, a pessoa deve estar mais atenta do que nunca. Ela deve fazer o planejamento dos seus principais recursos e ter bastante disciplina. A mudança de atitude deve começar com pequenas medidas que requerem atenção e um pouco de dedicação.

9 dicas para sair do "vermelho"

1) Identifique a dívida

Se a dívida está fora do controle, o primeiro passo é conhecer a extensão do problema. Liste todas as dívidas (para quem deve, quanto deve e há quanto tempo), os créditos (salário, rendimentos extras, colaboração de familiares e aplicações financeiras) e as despesas (gastos com itens essenciais para a casa e para a pessoa, como luz, água, telefone, internet, transporte, alimentação, mensalidades, gastos com a saúde, etc.).

2) Faça um orçamento doméstico

Para isso, use um caderno, planilha de computador ou utilize um aplicativo no seu smartphone. Dessa forma, é possível acompanhar melhor as receitas e despesas mensais. Registre tudo, inclusive os pequenos gastos (como um cafezinho).

Assim, quando analisar cuidadosamente para onde vai o seu dinheiro, será possível fazer um melhor planejamento orçamentário.

3) Adapte os gastos ao seu padrão de vida real

Corte os supérfluos e procure adequar o seu padrão de vida aos seus reais rendimentos. Planeje bem as suas compras, inclusive os produtos essenciais. Pesquise bem os preços e fique atento às formas de pagamento (verifique a taxa de juros). Não use o cheque especial como um segundo salário. Evite sair de casa com cartão de crédito ou talão de cheques. As pequenas ações como economizar energia elétrica, água, telefone, internet, transporte e outros itens também são importantes.

Todo esse esforço resultará positivamente no seu bolso e a "sobra" servirá para começar a quitar as dívidas e, no melhor dos cenários, fazer uma poupança para cobrir eventuais emergências.

4) Reserve dinheiro para quitar suas dívidas

Saiba quanto realmente pretende disponibilizar para quitar suas dívidas. Caso o valor total seja muito alto, priorize as que possuem os juros mais altos e aquelas que já venceram. Contas do cartão de crédito e débitos do cheque especial são, geralmente, as que têm maiores taxas de juros. Aproveite o seu 13º salário para pagar algumas dívidas. Caso tenha algum dinheiro aplicado, avalie a possibilidade de utilizá-lo também (em geral, os juros das dívidas são superiores aos praticados nos investimentos). Tente amortizar a dívida de uma vez para evitar cobrança de juros.

5) Utilize crédito a juros menores

Caso não tenha recursos para saldar as dívidas, considere a possibilidade de obter crédito com taxas menores, tais como a antecipação de restituição de imposto de renda ou crédito consignado. Neste caso, fique atento a todos os valores, principalmente dos juros, taxas e demais encargos. Nunca, em hipótese alguma, recorra a um agiota, pois isso significa uma dívida muito maior do que anterior.

6) Renegocie as dívidas

Tente negociar as dívidas diretamente com os credores, sem ajuda de empresas especializadas. Negocie prazos maiores para pagamento, em parcelas menores ou abatimento substancial para liquidar a dívida à vista. Aproveite os finais de ano para negociar com os credores pois, nesta época, eles precisam fazer caixa e ficam mais abertos a dar descontos para quitação de dívidas.

7) Documente e arquive

Ao firmar um acordo de renegociação ou obter a quitação de uma dívida, mantenha tudo bem documentado e exija que tudo o que foi combinado verbalmente por escrito em contrato (débito discriminado, valor, número e data de vencimento das parcelas, possíveis penalidade e comprovantes de pagamento). Depois, providencie a regularização da situação perante os cadastros de inadimplentes.

8) Cobrança extrajudicial

Caso a dívida esteja em alguma empresa de cobrança, será caracterizada como cobrança extrajudicial. O inadimplente só deverá pagar os encargos previstos no contrato e a multa por atraso não poderá ser superior a 2%; sendo que as demais despesas das empresas credoras são de responsabilidade delas e não deverão ser repassadas ao inadimplente (como telefonemas interurbanos, honorários advocatícios, despesas com transporte ou correspondência, etc.).

A inclusão do nome do devedor em serviços de proteção ao crédito (como Serasa e SPC Brasil) não pode ser feita por empresa de cobrança, mas somente pelo credor. Ninguém pode ter seu nome incluído em cadastros dessa natureza se a negociação estiver sendo discutida judicialmente.

9) Recorra aos órgãos de defesa do consumidor

Quando a empresa não quiser explicar os valores cobrados, ou mesmo quando houver dúvidas sobre o que está sendo cobrado, procure um órgão de defesa do consumidor para conferir o cálculo feito e pedir esclarecimentos. Não esqueça de levar os documentos referentes à dívida para ser atendido.

Cheque sem fundos

Se a dívida envolver a emissão de cheque sem fundos:

  • Procure o credor, efetue o pagamento e solicite a devolução do cheque. Caso o cheque tenha sido extraviado, solicite ao credor a emissão de uma carta de anuência.
  • Apresente o cheque ou a carta de anuência (com firma reconhecida e uma Certidão Negativa de Protestos) ao banco, para que ele providencie a retirada de seu nome do cadastro de emitentes de cheque sem fundos (CCF).

Mais informações

Para mais informações sobre cheques sem fundos, consulte o site da Serasa Consumidor e o Banco Central do Brasil.

Título protestado

Em caso de título protestado em cartório:

  • Dirija-se ao cartório que registrou o protesto e solicite uma certidão para saber quem protestou o título. Você também pode usar o Serviço Central de Protesto de Títulos, na internet, para consultar protestos em seu nome.
  • Resolva a dívida com o credor.
  • Solicite uma declaração que comprove a quitação e autorize o cancelamento do protesto, vá ao cartório e providencie o cancelamento.
Cuidado com as fraudes

O Serviço Central de Protesto de Títulos - SPCT alerta aos consumidores para alguns tipos comuns de fraudes.

Se você receber um telefonema informando ter um título a ser protestado em seu nome ou em nome de sua empresa e lhe ser oferecida a possibilidade de efetuar o pagamento do mesmo por depósito em conta, não o faça, é golpe.

Outro tipo de fraude ocorre por meio de e-mails em nome de falsos Tabeliães de Protesto, SCPT e até em nome da Corregedoria Geral da Justiça.

Assim sendo, sempre ignore esse tipo de contato. A maneira mais segura de saber se há um título protestado em seu nome é por meio do site oficial do serviço de protestos ou diretamente com os tabelionatos de São Paulo.

Nome sujo nos serviços de proteção ao crédito

Caso o nome seja inserido nos bancos de dados dos serviços de proteção ao crédito, como SPC Brasil ou SERASA, é necessário:

  • Procure a instituição credora (cartão de crédito, loja, bancos, financeiras, etc.) efetue o pagamento ou negocie a dívida.
  • Após a quitação da dívida ou pagamento da primeira parcela do acordo, o credor deverá enviar uma notificação solicitando a exclusão do nome do cadastro de inadimplentes.
  • Caso não saiba o valor da dívida ou desconheça o credor, compareça ao atendimento do serviço de proteção ao crédito com um documento de identidade e CPF.

Mais informações

Para mais informações sobre os bancos de dados de proteção ao crédito e os seus serviços de atendimento ao consumidor, consulte o site da Boa Vista SCPC, Serasa Consumidor e SPC Brasil.

Programa de Apoio ao Superendividado - PAS

O Programa de Apoio ao Superendividado - PAS é um trabalho conjunto do Núcleo de Tratamento do Superendividamento da Fundação Procon-SP e do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania - CEJUSC do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. O seu objetivo é oferecer auxílio aos consumidores superendividados, orientando e promovendo a renegociação de dívidas com os seus credores.

Pode participar do programa qualquer pessoa física, maior de idade e capaz, considerada de boa-fé e com um mínimo de disponibilidade financeira. Antes de entrar no programa, a pessoa passa por uma avaliação pelos especialistas do Núcleo de Tratamento do Superendividamento para confirmar a sua condição como superendividado.

Mais informações

  • Na internet: página do PAS, no site da Fundação Procon-SP
  • Endereço: Rua Barra Funda, 1032 - Barra Funda - São Paulo/SP
  • Horário de atendimento: de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas
  • Telefone: (11) 3824-7069

Dicas para fazer o dinheiro render mais

  • Crie o hábito de fazer o orçamento doméstico "no papel". Utilize um caderninho para registrar as receitas e, principalmente, as despesas. Se preferir, faça uma planilha no seu computador ou utilize um app no seu smartphone ou tablet. O importante é registrar todos os gastos, inclusive os menores, para perceber como o seu dinheiro está sendo usado na realidade e planejar cortes, se necessário.
  • Evite sair com todos os seus cartões de crédito e talões de cheque. Eles podem motivar a compra por impulso e agravar mais a situação financeira.
  • Se o salário não cobrir todas as despesas do mês, procure eliminar os gastos supérfluos.
  • Porém, cortar gastos supérfluos não significa necessariamente deixar de gastar com a sua satisfação pessoal. Crie o hábito de pesquisar sobre a programação cultural gratuita ou de baixo custo na sua cidade. Vale a pena conhecer parques, clubes esportivos municipais, exposições, mostras de cinema, teatro e outras alternativas culturais. Sites como o Catraca Livre, Secretaria de Estado da Cultura e Secretaria Municipal da Cultura podem ser usados para pesquisar informações sobre esses eventos.
  • Faça uma reserva financeira. Nunca fique no limite do que você ganha, pois imprevistos como desemprego, doenças e divórcio podem acontecer a qualquer momento da vida. Quando receber o seu salário, direcione imediatamente 10% dele, no mínimo, para uma conta de poupança ou investimento seguro.
  • Compre à vista sempre que for possível. Isso evita os juros do parcelamento que sempre acabam aumentando o valor final da compra.
  • Caso o parcelamento da compra seja inevitável, pesquise valores do mesmo produto ou serviço em outros estabelecimentos. Fazendo isso, é possível obter taxas de juros ao mês mais atraentes. Lembre-se: a taxa de juros deve constar no contrato e, no caso de atraso no pagamento, a multa não pode ser superior a 2% do valor cobrado.
  • Tenha somente uma conta bancária e um cartão de crédito, pois será mais fácil para fazer o controle financeiro. Fique de olho nas tarifas bancárias. Não aceite todos os produtos e serviços que o banco lhe oferecer, a menos que tenha certeza de sua utilidade e que poderá pagá-los. Nunca aceite um produto ou serviço para ter acesso a outro - isso configura-se em venda casada, que é proibida e deve ser denunciada nos órgão de defesa do consumidor.
  • Use o cartão de crédito com moderação e bom senso. Mantenha o controle de todos os gastos e evite ao máximo pagar o cartão com atraso - os juros cobrados são um dos mais altos do mercado.
  • Cuidado com as tentações. Se não for realmente necessário, reflita muito antes de comprar alguma coisa.
  • Evite ir ao supermercado com fome ou com as crianças para diminuir a chance de levar o que não precisa. Leve sempre uma lista com os itens que precisa comprar. Só compre os produtos se preço realmente compensar e se o item for essencial. Não esqueça de verificar também a validade do produto - muitas vezes, o produto está perto da sua data limite de consumo e ganha um desconto atraente para limpeza do estoque.
Começando a investir

Sobrou dinheiro no fim do mês?

Se você pagou todas as contas, ficou sem dívidas e sobrou um pouco de dinheiro, faça-o render. Caso você não tenha a menor ideia por onde começar, consulte o gerente do seu banco ou comece com investimentos mais simples como a caderneta de poupança ou Letras de Crédito Imobiliário - LCI. Ambos são uma aplicação segura, isenta de imposto e taxas de administração.

Caso já tenha mais intimidade com os investimentos financeiros, vale a pena consultar as opções de Fundos de Renda Fixa (fique de olho nas taxas de administração), Fundos DI (que vem de CDI – Certificado de Depósito Interbancário e constitui um fundo de renda fixa pós fixado), Tesouro Direto e CDB.

Para quem não tem medo de riscos e está pensando em investimentos a longo prazo, pode pensar em ações. Por outro lado, quem busca segurança no futuro, pode aplicar em previdência privada para garantir mais segurança financeira na aposentadoria.

Links úteis sobre educação financeira

Última atualização: março de 2017