As histórias em quadrinhos no Brasil

Nos EUA são conhecidos como “comics”. Na França, são “bandes dessinées”. Em Portugal, são “bandas desenhadas”. No Japão, são “mangás”. Na Itália, são “fumetti”.

Aqui no Brasil, podem ser gibis, revistas em quadrinhos, quadrinhos, histórias em quadrinhos ou, simplesmente, HQs. Não importa como sejam chamadas, as HQs apresentam uma estética inconfundível, reconhecida em todos os cantos do mundo, por pessoas de todas as idades.

 

História em quadrinhos do Nhô Quim
História em quadrinhos do Nhô Quim (Wikimedia Commons)

 

Angelo Agostini

No Brasil, a origem das histórias em quadrinhos (ou HQ) ocorreu da vertente humorística da imprensa (cartuns, charges e caricaturas), ainda no século 19.

A primeira HQ criada em terras brasileiras foi publicada na revista Vida Fluminense, em 30 de janeiro de 1869. Essa obra conta a história de Nhô-Quim, um jovem caipira de 20 anos que visita a corte portuguesa no Rio de Janeiro.

O autor dessa HQ foi o italiano Angelo Agostini (1843-1910), considerado um dos percursores dos quadrinhos e charges políticas no país.

Ao contrário dos outros chargistas da época, seu traço não lembra uma caricatura. Sua linha é dura com características acadêmicas e pretensões realistas. Os personagens eram desenhados de corpo inteiro e apresentam técnicas de perspectiva e ilusão de profundidade.

Origem dos gibis

A primeira revista em quadrinhos brasileira foi O Tico Tico.

Seu primeiro número circulou em 11 de outubro de 1905. Logo no ano seguinte, tornou-se sucesso nacional de vendas, chegando à impressionante tiragem de 100.000 exemplares por semana.

O formato gráfico recebeu influência francesa, porém seus temas e personagens estavam ligados à afirmação de elementos da identidade nacional.

Em 1939, era publicada a revista O Gibi, cujo nome virou sinônimo de revista em quadrinhos no Brasil.

Chamada de “Gibi” em referência a uma gíria para menino (ou moleque), a edição trazia em sua capa o personagem Charlie Chan e, no alto, por trás do logotipo, um garoto convidando o leitor a mergulhar nas aventuras daquele lançamento que era em preto e branco, mas continha algumas páginas impressas em vermelho e amarelo.

Por muito tempo os quadrinistas brasileiros sentiram resistência por parte dos editores, que davam preferência às histórias importadas. Uma alternativa para vencer tal resistência era partir para um trabalho independente como fez Carlos Zéfiro, que publicou - durante as décadas de 1950 a 1970, histórias eróticas conhecidas como “catecismos”.

Aos poucos a resistência às histórias originais brasileiras foi sendo quebrada.

Em 1960, por exemplo, foi lançada A Turma do Pererê, com texto e ilustrações de Ziraldo, também autor de O Menino Maluquinho. Nos anos 60 também surgiram diversos super-heróis brasileiros, mesmo que muito inspirados nos consagradados estrangeiros, como o Capitão 7 (mistura de Flash Gordon e Super-Homem).

 

Quadrinhos e o regime militar

Com o advento do regime militar no Brasil, os quadrinhos também sofreram uma onda de repressão semelhante ao que houve nos EUA, com a Comic Code.

O humor foi um traço de resistência à ditadura e gerou um grande número de revistas que passaram a representar o humorismo brasileiro.

O pioneiro foi o Pasquim (1969-1991), um grande crítico do regime militar. Ao longo do tempo de existência da revista, surgiram importantes cartunistas que criavam histórias de crítica política e social, tais como Henfil, Jaguar, Luiz Gê, Paulo e Chico Caruso, Laerte, Glauco e Angeli, entre outros.

Turma da Mônica

Capa da HQ da Turma da Mônica
Capa da HQ da Turma da Mônica

 

No que se refere às HQs voltadas ao público infantil e juvenil brasileiras, não se pode deixar de dar destaque ao trabalho de Maurício de Souza, cujo repertório de histórias e personagens (encabeçadas pela Turma da Mônica) acabam entretendo e emocionando todas as faixas etárias.

O primeiro personagem foi o cãozinho Bidu, cuja primeira tira foi publicada em 1959. Aos poucos, o resto da turminha foi aparecendo e tornando-se um sucesso editorial e comercial, com centenas de produtos licenciados.

Página atualizada em setembro de 2019

A imagem mostra um boneco vermelho com cara de confuso

Precisa de ajuda para encontrar uma informação?

Fale com a equipe da Biblioteca Virtual