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Especial: TRANSPORTE E MEIO AMBIENTE [09/2011]

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Índice desse especial
Transporte, poluição, meio ambiente e saúde
Use mais o transporte coletivo
Bicicleta não é só para lazer
Caminhe!
Pratique a carona solidária
Dia Mundial Sem Carro
Se o carro ainda for necessário
Dica de leitura

Setembro é o mês da chegada da primavera. É também quando se comemoram diversas datas relacionadas à natureza e ao meio ambiente. Só para você ter uma ideia, temos: o Dia do Biólogo (dia 3); o Dia da Amazônia (dia 5); o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio (dia 16); o Dia da Árvore (dia 21) e o Dia Mundial Sem Carro (dia 22).

Aproveitando essa deixa, preparamos um especial sobre alternativas para minimizar os efeitos causados pela poluição produzida pelo excesso de veículos nas grandes cidades. Sabemos que os veículos motorizados - que utilizam combustíveis fósseis e não renováveis - têm circulado em número cada vez maior nos grandes centros urbanos, ao longo dos anos. Isso vai causando altíssimos índices de congestionamento e outros fatores decorrentes dele: atrasos, estresse, acidentes e muita, muita poluição. Esta, por sua vez, vai minando a nossa saúde e a do meio ambiente.

Em dados divulgados pelo Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), em abril deste ano, a cidade de São Paulo ultrapassou a marca dos 7 milhões de veículos emplacados. Desse total de veículos, os carros tomam a frente, com mais de 5 milhões, sendo que o restante é dividido entre motos, micro-ônibus, caminhonetes e utilitários, caminhões e ônibus. É como se para cada família de 3 pessoas houvesse 2 veículos na garagem.

Assim, a possibilidade de um grande contingente de veículos sair às ruas ao mesmo tempo é sempre frequente, principalmente em horários de pico (início da manhã e final de tarde). A lógica é simples: mais veículos nas vias => menos espaço => menos mobilidade => mais queima de combustíveis => mais emissão de gases e poluição.

Apesar dos carros geralmente serem capazes de chegar a 200km/h, em cidades como São Paulo só costumam atingir 10 a 12 km/h na média. Sem falar nos momentos em que ficam parados nos congestionamentos. Um carro ligado e parado emite 20 vezes mais poluição do que um que que viaja a 50 km/h.

 

 

Transporte, poluição, meio ambiente e saúde

O transporte não é a única causa da poluição atmosférica, mas é uma dos principais. É da queima de combustíveis fósseis que advém a maior parcela de substâncias poluentes, como o dióxido de carbono. Aliás, o carbono é um dos elementos que mais “prendem” calor na atmosfera da Terra, causando o que se chama de efeito estufa; fenômeno que tem elevado a temperatura média do planeta Terra e promovido distúrbios climáticos, como El Niño e La Niña.

Os combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural) são formados por compostos de carbono, resultantes de matéria orgânica decomposta por longuíssimo tempo, submetida a condições onde há pouco oxigênio, pressão da terra e elevada temperatura. Totalizam cerca de 87% de todo o combustível consumido no mundo e são responsáveis por grande parte de sua poluição atmosférica e hídrica. E o pior de tudo: não são energias renováveis, e suas fontes tenderão a se esgotar em alguns séculos, caso a exploração de suas reservas não sejam bem planejadas. Por essa razão (e também pela questão ecológica), a discussão e busca por recursos naturais que gerem uma energia mais limpa de poluentes estão em alta, nos últimos anos.

E não é novidade para ninguém que além dos prejuízos ao meio ambiente, o trânsito excessivo e a poluição também trazem sérios prejuízos à nossa saúde. Há alguns anos, o Banco Mundial (BIRD) realizou um estudo sobre os efeitos da deterioração do meio ambiente, e constatou que a poluição do ar mata 800 mil pessoas por ano em todo o mundo. Além dos óbvios problemas respiratórios (sinusite, rinite, bronquite, asma, enfisema pulmonar etc.), a poluição causa irritação nos olhos e mucosas, conjuntivite, e contribui para a ocorrência de doenças cardíacas e até diminuição da fertilidade masculina, segundo alguns estudos. Isso sem falar nos elevados níveis de estresse e ansiedade que a sensação de imobilidade e a poluição sonora provocam. Os acidentes também são fatores cruciais no quesito saúde: a cada 3,2 minutos acontece um acidente de trânsito em São Paulo, que pode resultar em ferimentos, sequelas permanentes (amputações, paralisia etc.) e morte.

Paulo Saldiva, médico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em sua palestra no TEDxSP (evento realizado em agosto de 2009, em São Paulo), trouxe uma abordagem diferente sobre o assunto: o homem como ponto central da questão ambiental. Em geral, direciona-se o problema aos órgãos públicos ligados aos transportes e ao meio ambiente, porém Saldiva - que também coordena o Laboratório de Poluição Atmosférica da USP - também inclui a saúde pública na pauta. Na palestra, disponível abaixo, ele também trata da exclusão social que a lógica da indústria automobilística gera.

 

 

A maior parte das discussões a respeito da solução para acabar com a poluição e com o caos do trânsito tem chegado à conclusão de que o ideal é deixar de priorizar o transporte individual, em prol do transporte coletivo. Este, por sua vez, deve ter condições de dar conta, razoavelmente, da demanda de passageiros. É claro que grande parte da responsabilidade sobre a infra-estrutura do trânsito e das medidas em prol do meio ambiente e da saúde pública é do poder público; mas pequenas iniciativas e mudanças de hábito individuais positivas, realizadas em frequência cada vez maior, também surtem efeitos fantásticos e realmente concretos. Em resumo: é o espírito do “passe uma boa ideia para a frente”.

A seguir, você verá algumas iniciativas que visam ser uma alternativa à realidade do trânsito nas grandes cidades.

 

 

Use mais o transporte coletivo

Utilizar o transporte coletivo acaba sendo mais econômico do que manter um veículo e todos os gastos que sua posse implica (combustível, manutenção e impostos).

Muitas cidades do Estado de São Paulo - como São Paulo, Campinas, Guarulhos, Santo André, entre outras - utilizam o bilhete único, um recurso que facilita a integração de viagens em ônibus, trem e metrô. Na cidade de São Paulo, por exemplo, é possível fazer quatro embarques no prazo de até 3 horas, utilizando o Bilhete Único Comum e até 2 horas utilizando o Bilhete Único Vale-Transporte. Se usar Metrô ou trem dentro das primeiras 2 horas, só se pagará apenas a diferença para completar o valor da tarifa integrada.

Um ônibus emite cerca de 750g de carbono a cada 1km. Essa quantidade dividida pelo número de passageiros pode significar uma boa economia de carbono. Muitos governos (incluindo o de São Paulo) têm desenvolvido projetos de utilização de energias alternativas aos combustíveis fósseis por veículos de transporte coletivo como, por exemplo, ônibus movidos a energia elétrica, a hidrogênio e a etanol.

Você, às vezes, fica meio perdido em meio aos ramais de trens metropolitanos, metrô e terminais de ônibus da região Metropolitana de São Paulo? Dê uma olhadinha nos sites a seguir. Lá você encontra a localização de estações e terminais, assim como mapas e consultas a itinerários.

- Estações da CPTM e Metrô e Terminais de Ônibus da EMTU - Secretaria dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo;

- CPTM - pesquisa de trajetos na rede ferroviária;

- Metrô - pesquisa de trajetos na rede metroviária;

- EMTU - itinerários, horários e tarifas das linhas de ônibus das Regiões Metropolitanas do Estado de São Paulo;

- SPTrans - itinerários das linhas de ônibus da cidade de São Paulo.

 

A bicicleta é uma boa alternativa de transporte

 

 

Bicicleta não é só para lazer

A bicicleta, cada vez mais, é encarada como um meio alternativo de transporte e não mais como apenas um instrumento de lazer, ou para deixar o corpo em forma. No Brasil, 50% do uso destinado à bicicleta é como meio de transporte, segundo dados da ABRACICLO (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Bicicletas e Similares), sendo que o restante é dividido entre o uso pelas crianças, para lazer e para as competições esportivas.

A Biblioteca Virtual, em seu especial de janeiro/fevereiro de 2010 traçou um grande panorama da bicicleta como meio de transporte. Falou sobre as vantagens da bicicleta sobre os veículos motorizados; sobre a falta de mobilidade nas grandes metrópoles; sobre as iniciativas bem sucedidas em outros países; sobre as ações realizadas em São Paulo, entre outras coisas.

Vantagens do uso das bicicletas? São muitas! Vamos a algumas delas: não prejudicam o meio ambiente pois produzem zero de carbono; são mais baratas e econômicas em relação aos veículos motorizados (e mais rápidas em meio a congestionamentos), fazem o corpo se exercitar.

Em países como Dinamarca, França, Espanha, Inglaterra, entre outros, existem ações bem estabelecidas de incentivo ao uso de bicicletas, tais como: vias exclusivas para sua circulação; sistema de aluguel de bicicletas nas cidades e, até mesmo, incentivo fiscal. Em Londres (Inglaterra), há um programa de incentivo a empresas que compram bicicletas com impostos reduzidos e as oferecem aos seus funcionários como benefício (o Cyclescheme).

Veja o que São Paulo oferece para quem topa usar uma bike como meio de locomoção:

- Bicicletários nas estações da CPTM;

- Paraciclos nas estações da CPTM;

- Bicicletários mantidos pela EMTU (terminais metropolitanos de ônibus);

- Bicicletários e paraciclos em estações do Metrô.

Obs.: os bicicletários são para estacionar e alugar bicicletas, já os paraciclos são apenas para estacioná-las (são estruturas onde você pode prender a sua bike).

- Regras para a circulação de bicicletas nas estações e trens da CPTM;

- Regras para a circulação de bicicletas nas estações e trens do Metrô.

Além disso, há a Ciclofaixa da Cidade de São Paulo, que integra os Parques das Bicicletas, do Povo, do Ibirapuera, Villa-Lobos e o Futuro Parque Clube do Chuvisco aos domingos e feriados, a Ciclovia do Rio Pinheiros, que liga Interlagos à Vila Olímpia (e em breve será ampliada até o Parque Villa-Lobos), e o Caminho Verde, na Radial Leste.

 

 

Caminhe!

Você precisa comprar algumas poucas coisas no supermercado, que fica a quatro quarteirões de sua casa, e já vai pegando a chave para sair de carro? Tente fazer diferente: vá até lá a pé. Além de fazer bem à sua saúde e forma física, caminhar por trajetos relativamente curtos vai evitar que você tire o carro de casa e, consequentemente, contribua com a cota de poluição do dia. E outro detalhe: quando todos os veículos estão parados no trânsito, a melhor e mais rápida maneira de circular é andar a pé mesmo.

Caminhar também possibilita que você perceba melhor a sua vizinhança, as casas comerciais, as pessoas, enfim, tudo aquilo que você não nota quando está dentro de um veículo.

 

Deixar o carro na garagem e caminhar faz bem a saúde, ao trânsito e ao seu bolso

 

 

Pratique a carona solidária

Se repararmos nos carros que circulam em uma grande via, veremos que a grande maioria segue somente com o motorista. Em geral, um carro pode levar até cinco pessoas. Por que não dar carona para mais gente e evitar a saída, muitas vezes desnecessária, de tantos carros? Mães e pais podem se revezar em levar os filhos dos outros à escola. Colegas de trabalho podem criar um sistema solidário de caronas (muitas empresas já fazem isso).

Atualmente, há sites especializados em reunir pessoas interessadas em receber e oferecer carona. Elas se cadastram, registram seu destino, horário e outros detalhes, de acordo com a sua necessidade, e vão combinando entre si a maneira de compartilhar a carona. Podem rachar a despesa com combustível, estacionamento e até táxi.

Esses sistemas são bastante utilizados por estudantes universitários que estudam em cidades distantes e vão visitar seus pais e parentes nas férias, feriados e em datas especiais. À primeira vista pode parecer um tanto arriscado marcar uma carona com quem você nem conhece direito, porém os sites se valem de recursos para garantir a segurança dos usuários. Alguns, como o UniCaronas é dedicado apenas a estudantes de universidades cadastradas.

Aí vão alguns exemplos desse tipo de site:

- Carona Brasil;

- UniCaronas;

- Caronetas - obs.: ele é dirigido a funcionários e colaboradores de empresas cadastradas no site;

- Caronas;

- Coletivu;

- Caroneiros.

 

 

Dia Mundial Sem Carro

No dia 22 de setembro é comemorado o Dia Mundial Sem Carro. A data foi celebrada pela primeira vez em 1988, em 35 cidades francesas. No Brasil, ocorreu pela primeira vez em 2001 e vem ganhando cada vez mais cidades adeptas.

O principal objetivo da data é fazer com que as pessoas pensem um pouco sobre obre o estilo de vida que levam, e sobre a possibilidade de diminuírem o uso do carro, ou até mesmo o substituir por outro meio de transporte.

Você encontra mais informações sobre o evento no site oficial.

 

 

Se o carro ainda for necessário

É claro que a ideia não é exterminar o uso dos carros, pois eles são úteis e, em muitos momentos, imprescindíveis; como no caso do transporte de idosos ou de doentes com pouca mobilidade; da necessidade de carregar bagagens e cargas volumosas, entre outras diversas situações em que o uso do transporte público seria muito complicado.

O carro, em si, não é a causa de todo os males urbanos, mas, sim, a “cultura do automóvel”, onde ele passa a ser quase uma extensão do próprio indivíduo, que o coloca no topo absoluto da pirâmide da locomoção. Quem tem um automóvel, tem status e poder; quem não tem, ainda não “venceu na vida”. Esse tipo de pensamento acaba contribuindo para que mais e mais pessoas tentem arcar com os altos custos de se manter um automóvel e isso, consequentemente, faz com que as cidades tenham cada vez menos mobilidade e cada vez mais poluídas. A saída, para muitos governos, tem sido fazer certos controles para tentar melhorar a questão ambiental e de circulação, como as inspeções veiculares e rodízios.

Mas se é impossível ficar sem carros, podemos lançar mão de iniciativas que tornam o seu uso menos prejudicial ao meio ambientale à nossa saúde.

- Na hora de comprar um carro, escolha o que gasta menos combustível por quilômetro rodado. De preferência, escolha aqueles movidos à alcool, biodiesel ou modelos flex (movidos à álcool e à gasolina);

- Mantenha os pneus calibrados ao menos uma vez por mês. Isso vai aumentar o rendimento de seu carro em torno de 3%, irá gastar menos combustível e fará seus pneus durarem mais;

- Faça revisões periódicas (de preferência a cada seis meses, ou de acordo com a recomendação do fabricante) a fim de reduzir as emissões de poluentes;

- Use o ar condicionado ou o aquecimento de forma moderada e, quando for possível, desligue. O uso aumenta o consumo de combustível, o que por sua vez eleva a emissão de gás carbônico.

 

 

Dica de leitura

Uma boa dica de leitura que nos inspirou e foi utilizado como principal referência desse artigo é o "Livro Verde: pequenos passos que cada um pode dar para salvar o planeta", dos autores Thomas M. Kostigen e Elizabeth Rogers. As dicas presentes nesse livro podem fazer a diferença para uma qualidade de vida melhor.

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