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Especial: REFORMA ORTOGRÁFICA [04/2009] - Página 1

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No dia 1º de janeiro de 2009 entraram em vigor, no Brasil, as novas regras estabelecidas pelo Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Mas ninguém precisa ficar desesperado para decorar tudo de uma vez. Haverá um período de adaptação até o final de 2012, onde a antiga e a nova ortografia poderão conviver e serem aceitas como corretas. Segundo o Ministério da Educação, essa tolerância deverá ocorrer não somente nas escolas de ensino fundamental e médio, mas também nos vestibulares, concursos públicos, veículos de comunicação etc. Porém, a partir de janeiro de 2013, não vai haver escapatória: somente a nova ortografia será considerada correta. Basicamente, as mudanças giram em torno do uso do hífen, da extinção do trema e de alguns acentos, da padronização de palavras e a inclusão das letras "k", "w" e "y" em nosso alfabeto.

Neste último mês de março, a Academia Brasileira de Letras lançou o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa - ou simplesmente VOLP - que registra a grafia oficial das palavras no Brasil. Conta com cerca de 370 mil palavras e acaba por definir e padronizar questões que acabaram não sendo cobertas ou esclarecidas pelo texto do Acordo ou, ainda, que não foram discutidas com os outros países de língua portuguesa. O uso do hífen, por exemplo, é um dos pontos mais complexos e que mais causa dúvidas. O próprio Acordo deixa muitas lacunas em relação a ele, provocando muitas interpretações. Embora ele diga que duas vogais têm que estar separadas por hífen, acabou não esclarecendo o que fazer no caso dos prefixos "re", "pre" e "pro". De acordo com tradição lexicográfica da língua (ou seja, de acordo com a tradição dos nossos dicionários), esses prefixos nunca foram separados. O VOLP, então, recomenda que palavras com esses prefixos sejam escritas sem hífen mesmo (como em "reeditar", "preencher", etc.).

Lembre-se que por mais que a forma de escrever mude, a pronúncia será sempre a mesma. Ninguém irá dizer "linguiça", literalmente como se lê, pois mesmo que o trema não seja mais utilizado na escrita, ele estará presente na fala. A ortografia é, portanto, uma convenção social; apenas uma representação gráfica e arbitrária do que falamos. De tempos em tempos, estudiosos decidem e padronizam a melhor e mais lógica maneira de escrever as palavras, de olho também na tentativa de unificar as escritas dos diversos povos que falam a mesma língua (como é o caso dos países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CPLP).

Foram poucas as reformas oficiais da nossa língua em toda a sua história. Mas foram suficientes para mexer com a vida das pessoas e causar estranhezas iniciais, como mostramos na história da Dona Philomena, uma animação que preparamos para este especial.

Mais rápida que as mudanças da língua escrita é a agilidade da língua falada: as gírias, os neologismos (criação de novas palavras), as expressões regionais, etc. surgem e se espalham em nosso cotidiano, podendo demorar anos até serem incorporados aos dicionários. Mas isso não quer dizer que estejam errados - talvez um pouco longe da dita norma culta - pois se conseguem se fazer entender e comunicar dentro dos seus grupos sociais, então são adequados e acabam enriquecendo nossa língua e nossa cultura.

Essa edição do dicionário da língua portuguesa ainda é do tempo em que se escrevia "diccionário" - foto por Álvaro_I

Como aconteceu o acordo ortográfico

O Brasil foi o primeiro país, dos países de língua portuguesa, a começar a aplicar a reforma ortográfica. Embora tenha entrado em vigor no início deste ano, o Acordo que a estabeleceu não é tão novo assim. Ele foi elaborado e assinado em 1990 por representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. As negociações e estudos para esse acordo já ocorriam desde a década de 1980. Timor Leste juntou-se ao time mais tarde, assinando o acordo em 2004, dois anos depois de ser reconhecido como país independente.

Mas qual o objetivo dessa reforma? É ter uma única ortografia oficial da língua portuguesa pois, até o momento, existiam duas ortografias consideradas oficiais (a brasileira e portuguesa). A padronização - segundo os seus defensores - irá facilitar e reduzir custos da disseminação da língua nos veículos de cultura e comunicação, tais como livros, jornais, TV, internet etc.; facilitar as relações comerciais (nos textos de propostas e contratos) e fortalecer os países lusófonos no cenário internacional.

O texto original do Acordo previa que as mudanças entrariam em vigor em janeiro de 1994, após a ratificação de todos os países envolvidos. Mas após adiamentos, polêmicas e mudanças nos critérios para aprovação, todo o processo acabou se estendendo por mais alguns anos. Após a ratificação de Portugal, em maio de 2008, o Acordo pode ser implementado a partir de 2009. Assim como o Brasil, outros países aplicarão a reforma gradualmente, conforme cronogramas próprios.

Mesmo após tantos anos, o Acordo sofre muitas críticas por parte dos especialistas e profissionais que lidam com a língua portuguesa. No seu texto há muitos pontos que não foram explicados e discutidos entre os países ainda. Os portugueses têm resistido mais às mudanças, sendo que alguns até acham que a língua será "abrasileirada". Na verdade, a reforma visa aproximar a ortografia da forma falada, o que abolirá, por exemplo, o uso de consoantes mudas (como em acção, acto e óptimo), muito mais frequentes em Portugal. Na verdade, haverá alteração de cerca de 1,5% do vocabulário português e 0,5% do brasileiro. Ao contrário do Brasil, que se apressa em adotar a reforma, Portugal nem bem definiu seus prazos para a adaptação. No entanto, isso não quer dizer que a reforma é uma unanimidade em terras brasileiras; há muitas críticas em relação à falta de clareza do Acordo, aos custos excessivos em face aos poucos possíveis benefícios. Porém a realidade é essa: não é a primeira vez que há uma reforma ortográfica de nossa língua e a adaptação realmente nunca foi fácil, mas as dificuldades - como tudo na vida - acabam passando.

VÍDEO: Dona Philomena e as reformas ortográficas

 

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