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Especial: PROFISSÕES DIFERENTES E INUSITADAS [05/2008]

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Quando éramos crianças, sempre nos perguntavam: “O que você vai ser quando crescer?”. Na adolescência, a perguntas ganham um ar de cobrança: “Que profissão você pretende seguir?” ou “Vai prestar vestibular para qual curso?”. As responsabilidades da vida adulta e a necessidade de manter a própria sobrevivência, assim como a dos nossos familiares diretos, obrigam-nos a ter uma ocupação remunerada. Por falar nisso, comemoramos neste mês o Dia do Trabalho.

O trabalho é um dos aspectos mais importantes de nossa vida e sempre fomos orientados a aprender uma profissão. Aliás, trabalho, profissão, emprego e ocupação não são a mesma coisa:

- Profissão é um trabalho ou atividade especializada dentro da sociedade. Diz respeito à formação do indivíduo e requer estudos extensivos, seja através de um curso superior ou um curso técnico. É o que a pessoa aprendeu a fazer.

- Ocupação é qualquer trabalho que o indivíduo desenvolve, podendo estar ou não relacionado à sua profissão. Por exemplo: um engenheiro formado que, no momento, administra um estabelecimento comercial.

- Emprego é a ligação de um indivíduo a uma organização, através de um posto ou uma função, mediante o pagamento de salário. Existe um vínculo empregatício e as obrigações e direitos trabalhistas previstos em lei, como: horários a cumprir, férias remuneradas, aviso prévio, licença-maternidade etc. É o conceito formal e jurídico da relação de trabalho.

- Trabalho, simplesmente, é a prática de uma atividade ou esforço de uma pessoa, estimulada por alguma razão. Pode ser remunerado ou não. É um conceito geral, no qual podemos incluir diversas categorias de trabalho, inclusive o voluntário e o autônomo.

Embora esses termos costumem ser usados como sinônimos, a sua diferenciação pode nos ajudar a entender como era o mundo do trabalho antigamente e como ele se mostra atualmente.


Algumas profissões exigem coragem. Por exemplo, os limpadores de vidros de prédios precisam ser habilidosos e não temer a altura.

Profissões e formação: hoje e amanhã

Até pouco tempo atrás, media-se o grau de sucesso de uma carreira através do tempo em que se permanecia empregado em uma organização. Entrar em uma empresa como office-boy e aposentar-se em um cargo de diretoria seria um exemplo de sucesso até quinze ou dez anos atrás. Aliás, não era raro ocorrer trajetórias desse tipo. A estabilidade de um emprego ou de um ofício para a vida toda era a condição mais desejada pelas pessoas, embora muitas ainda vejam como um sonho a ser alcançado atualmente.

Com o passar do tempo, muita coisa no mundo acabou mudando... O processo de globalização – que ocorreu no final do século XX – e as rápidas inovações tecnológicas propiciaram fenômenos como: abertura de mercado, concorrência cada vez mais acirrada, busca por excelência, maior exigência de qualificação (muitas vezes um diploma de bacharel não basta), melhorias contínuas, eliminação de postos de trabalho, carreiras mais instáveis, garantias menores de emprego e maior oferta de trabalhos temporários. Dessa forma, um emprego para toda a vida acaba sendo algo do passado.

Mas as mudanças no mundo do trabalho e da escolha profissional não são fatos recentes, elas sempre ocorreram ao longo da História.

Esse panorama faz com que as pessoas desistam de procurar empregos tradicionais (CLT) e procurem alternativas de trabalhos que possam ser realizados de acordo com a sua formação ou não (algumas pessoas mudam completamente de área). Mais importante que o emprego em si é a empregabilidade, a capacidade em manter uma ocupação remunerada.

Para tanto, as pessoas precisam manter-se atualizadas e buscar o aprendizado constante, a fim de ampliarem seus papéis. E isto não quer dizer que as pessoas são obrigadas a investir alto financeiramente em cursos, pois há uma infinidade de opções de aprendizagem (leituras, internet, cursos e palestras gratuitos, encontros e conversas com quem já atua na área, etc.). Chamam os dias atuais de “Era da Informação” ou “Era do Conhecimento” e não é à toa... Dessa forma, a tendência maior é ser um generalista (procurar “saber um pouco de tudo”) e não um especialista que, muitas vezes, não consegue ter visão de conjunto. Enfim, o indivíduo deve ser autodidata e receptível a novos conhecimentos; além de ser assertivo, criativo e flexível. Parece uma realidade bastante cruel, mas não é melhor e nem pior do que em outros momentos da História.

Segundo os analistas, os setores de maior probabilidade de crescimento para as próximas décadas são: Informática, Saúde; Meio Ambiente; Turismo, lazer e entretenimento; Biotecnologia; Administração; Tecnologia da Informação; Terceiro Setor e Educação.


Enquanto algumas profissões praticamente desaparecem, outras viram moda. É o caso do barista, trabalhador dedicado na arte da preparação do café.

Profissões inusitadas e alternativas

Além das profissões já conhecidas e que pertencem às áreas mais promissoras, existem aquelas profissões ou trabalhos mais inusitados e alternativos, que surgem das tendências e necessidades do momento. Apesar da estranheza que algumas ocupações podem causar ao grande público, percebe-se que as pessoas que atuam nelas conseguem aliar satisfação pessoal, aplicação de conhecimentos adquiridos ao longo da vida e a possibilidade de entrada em um nicho não saturado (veja em “Profissões Alternativas e Inusitadas” no menu ao lado).

Veja alguns exemplos:

- Árbitro de conflitos: negocia conflitos empresariais extrajudicialmente, o que economiza tempo para as partes envolvidas.

- Booker: trabalha em agência de modelos ou independentemente e descobre talentos. Em algumas agências tem o papel de conseguir trabalho para as modelos.

- “Cheirador” de automóveis: analisam e controlam os odores dos veículos que saem das fábricas.

- Coach: é o personal trainer de carreiras, uma espécie de psicólogo só para a vida profissional.

- Coffeetender: é também chamado de barista, e é o especialista nas várias modalidades de bebida à base de café. Conhece profundamente toda a cadeia produtiva do café: desde o cultivo, passando pelo processamento do grão, até os processos de extração da bebida e os modos de servi-la.

- Degustador: café, chocolate, água, creme dental, azeite, vinhos, etc.

- Especialista em compensation: cria políticas criativas de remuneração nas empresas, muitas vezes analisando o desempenho individual dos funcionários.

- Gerente de marketing de relacionamento: cria programas de relacionamento com vários tipos de cliente, de funcionários a compradores, por meio de programas de fidelidade e bônus para compra.

- Gerente de "trade marketing" e merchandising: responsável por ações de valorização da marca e promoções.

- Gestor de reputação: apura a confiabilidade e o potencial de uma marca, assim como as perspectivas de investimento.

- Gestor de responsabilidade socioambiental: afere riscos e degradação do ambiente e cria políticas nas empresas. No setor público, tem função de fiscalização ou criação de projetos.

- Mediador de mídias sociais: monitora comunidades virtuais, blogs, fóruns e outras ferramentas de interação de organizações na internet e intranet.

- Personal stylist: consultor de estilo e imagem. Tem de facilitar o entendimento do conceito e por isso escolhe quem participa de campanhas. Em desfiles, decide quem vai desfilar e com que roupas. Há personalidades que o contratam diretamente.

- Produtor de objetos: viabiliza objetos necessários à cenografia de desfiles, filmes, cenas para capas de revistas e demais ensaios fotográficos.

- Report: especialista em viagens e coleta de pesquisa sobre a vida socioeconômica dos países.

- RI: Sigla de “relações com investidores”. Trata-se do executivo responsável pelas relações com investidores e o mercado financeiro.

- Sexador: detecta e seleciona o sexo de pintos, codornas e outras aves.

- Trendspotter: caçador de tendências, que investiga idéias que tendem a ser impactantes e que possam virar produtos, bens ou conceitos (em tecnologia, mídia e eletrodomésticos, por exemplo).

Profissões extintas

Muitas profissões e ocupações desapareceram no tempo ou possuem demanda mais reduzida (como os alfaiates). O resgate histórico dessas ocupações remonta o que já foi o mundo do trabalho anos atrás. Alguns profissionais ainda conseguem encontrar lugar ao sol, com um pouco de persistência e criatividade, como é o caso do chapeleiro paulistano desta reportagem do Diário do Comércio.

- Albardeiro: fazia selas e cabrestos;
- Acendedor de lampiões de rua;
- Datilógrafo;
- Moleiro: trabalhava nos moinhos;
- Motorneiro de bonde: motorista do bonde;
- Chapeleiro;
- Cobrador de bonde;
- Perfurador de cartões de computador;
- Telegrafista;
- Lambe-lambe: fotógrafo de rua.

Mais no site Museu da Pessoa.


O charme do fotógrafo de "lambe-lambe" perdeu espaço para o avanço das máquinas fotográficas modernas. Contudo, alguns ainda resistem e continuam a oferecer seus serviços em parques e ruas das cidades.

Mudanças no mundo, na formação e no trabalho

Todas essas mudanças não ocorreram de uma só vez, e são frutos de um longo processo desenvolvido muito antes – a partir da Segunda Guerra Mundial -, quando a sociedade deixou de se basear na agricultura e na indústria e direcionou seu foco na produção de informação e serviços.

Com o aumento da média do tempo de vida da população, o desenvolvimento da tecnologia a passos largos, a difusão da escolarização e da mídia, as pessoas passaram a consumir uma quantidade e variedade maior de produtos e serviços, que têm como valores principais a cultura de massa, a criatividade, o lazer, o status, a estética e a qualidade de vida. Por exemplo, ao consumir moda, não se compra uma roupa para simplesmente vestir, mas sim para adotar um estilo e apresentar um status. É a sociedade pós-industrial, como chamam os estudiosos.

Todas as reviravoltas, pelas quais o mundo passa, fazem com que as formas de produção e de trabalho se modifiquem, a fim de se adaptarem a essas novas realidades. Assim, muitas profissões e ocupações acabam desaparecendo (como o acendedor de lampiões); outras vão surgindo (como os administradores de comunidades virtuais) e algumas, ainda, transformam-se conforme os novos contextos (os bibliotecários que organizam portais, bibliotecas digitais e virtuais).

Modificam-se as profissões, modifica-se a formação também. No início do século XX, eram poucos os cursos superiores existentes no Brasil (a primeira escola de Medicina surgiu em 1808, na cidade de Salvador), sendo que se concentravam em três áreas que ainda continuam sendo muito procuradas: Medicina, Direito e Engenharia. Seu acesso era quase que restrito às elites e aos jovens “com posses”. Por sua vez, a formação profissionalizante já existia desde a época colonial (na forma de escolas de ofício) e tinha como objetivo atingir os órfãos e menores desvalidos.

Agora, em pleno século XXI, a oferta de cursos superiores é imensamente maior. Ainda que o acesso ao ensino superior seja muito difícil para grande parte da população, a situação é bem diferente se compararmos a décadas atrás. Há mais cursos e, conseqüentemente, mais pessoas estudando. As principais universidades oferecem até 50 cursos, porém, a procura concentra-se em poucos, tais como o clássico trio Medicina – Direito – Engenharia e alguns cursos da área de Comunicação (Jornalismo e Publicidade) e de Tecnologia.

A grande procura por alguns cursos e a conseqüente saturação do mercado pode ser explicada pela falta de conhecimento sobre as reais possibilidades das profissões e atuações; pela ilusão que as “profissões da moda” acabam gerando; pela busca de status e pela pressão familiar.

Outro aspecto a ser observado é que, muitas vezes, um curso mais abrangente ou com mais bases teóricas permitem uma atuação mais flexível do que um curso muito específico. Por exemplo: alguém com formação em Filosofia ou Ciências Sociais pode muito bem atuar em uma editora ou redação de uma revista. A atuação pode ser especializada, mas é interessante haver uma formação abrangente.

FONTE: Relações do Trabalho e Emprego: uma Síntese; Opções de Carreira: Profissões e Ocupações; Construção de uma escala de empregabilidade: competências e habilidades pessoais, escolares e organizacionais (tese de doutorado de Keli C. de L. Campos – Instituto de Pscicologia – USP); A Era Pós-Industrial, a Sociedade do Conhecimento e a Educação para o Pensar; O declínio do emprego e a ascensão da empregabilidade: um protótipo para promover a empregabilidade na empresa pública do setor bancário; A certificação da aprendizagem do trabalho no Brasil: uma história de poder e dependência; Profissões clássicas continuam sendo as mais procuradas; Profissões de futuro; Memórias do Trabalho: depoimentos sobre profissões em extinção.

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