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Especial: FESTAS JUNINAS [06/2007]

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Mês de junho é tradicionalmente marcado pelas festas juninas. Nas escolas, igrejas, clubes e até mesmo no escritório (desde que o chefe permita), as festinhas são organizadas com muitas brincadeiras e muita comida com sabor do interior.

Porém, poucos sabem sobre suas origens.

Há muitos séculos atrás, o solstício de verão no hemisfério norte (que ocorre no dia 21 ou 22 de junho) era a época do ano em que diversos povos antigos faziam rituais de invocação da fertilidade para trazer boas energias para trazer chuvas e ter uma farta produção de suas plantações. Ou seja, esses rituais de fertilidade sempre foram associados, no início, ao ciclo agrícola - preparação da terra, plantio e colheita.

Esses rituais sobreviveram ao tempo até que a Igreja Católica resolveu incluí-los no seu rol de eventos. Apesar de serem considerados rituais pagãos, essas festividades tinham uma longa trajetória histórica e tradicionalista, o que impossibilitou a sua condenação através das leis da Igreja. Dessa maneira, cria-se a Festa de São João, em 24 de junho (data próxima do solstício de verão), adaptando-se ao calendário oficial cristão.


Quem nunca cantou ou quem não se lembra das seguintes letras:

Pula a fogueira, Iaiá / Pula a fogueira, Ioiô
Cuidado para não se queimar / Olha que a fogueira
Já queimou o meu amor...

O Balão vai subindo / Vem vindo a garoa
O Céu é tão lindo / E a Noite é tão boa
São João, São João / Acende a fogueira do meu coração.

Isso é Festa Junina!

Na Europa, os festejos de solstício de verão foram adaptados à cultura local, de modo que em Portugal foi incluída a Festa de Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua, em 13 de junho. Mais tarde, também foi incluído as festas de São Pedro e São Paulo, comemorados em 29 de junho, completando o ciclo de eventos festivos da Igreja.

A comemoração das festas juninas é certamente herança portuguesa no Brasil, acrescida ainda dos costumes franceses que a elas se mesclaram na Europa.

Quando os jesuítas chegaram ao Brasil, difundiram várias festas religiosas. E logo as celebrações se mostraram muito eficazes para atrair a atenção dos indígenas para a mensagem catequizadora dos padres. Em especial as festas juninas - comemoradas com fogueiras, rezas e muita alegria -, que coincidiam com o período em que os índios realizavam seus rituais de fertilidade.

Durante o mês de junho, muitos brasileiros têm o costume de realizar simpatias em busca de dinheiro, trabalho e amor. Enfim, é de certa forma um período de esperança e busca da felicidade.

No nordeste brasileiro principalmente, estes santos são reverenciados e pode-se dizer que a importância destas festas, para as populações nortista e nordestina, ultrapassa a do Natal, principal festa cristã, e que elas são, historicamente, o evento festivo mais importante destas regiões, tanto cultural como politicamente.

As festas juninas no Nordeste também são grandes propulsores da economia local. Caruaru, em Pernambuco, e Campina Grande, na Paraíba, detêm as maiores festas juninas do Brasil, atração para os moradores dessas regiões e para os turistas de várias partes do mundo.

13 de junho: Santo Antônio

Santo Antônio é um dos santos mais populares do Brasil. Segundo os portugueses, a ação de Santo Antônio era fundamental na guerra e seu nome funcionava como arma contra perigos imbatíveis. No Brasil seu papel de militar foi importante, também, dadas as inúmeras guerras e revoltas durante as quais era invocado.

Considerado santo familiar e protetor dos varejistas em geral, Santo Antônio é invocado pelas moças que desejam se casar. A prática de colocar o santo de cabeça para baixo até que o pedido seja atendido é bastante comum entre os devotos.

Ainda há um outro costume que é muito praticado pela Igreja e pelos fiéis. Todo o dia 13 de junho, as igrejas distribuem aos pobres e afortunados os famosos pãezinhos de Santo Antônio. A tradição diz que o pãezinhos deve ser guardado dentro de uma lata de mantimento, para a garantia de que não faltará comida durante todo o ano.

24 de junho: São João

Apesar de descrito como um sujeito solitário, o povo se encarregou de criar o mito de que São João Batista adora uma festa barulhenta. No entanto, ele costuma estar dormindo justo na noite de sua festa. Se o estrondo dos fogos de artifício for alto e for forte o clarão das fogueiras, o santo acorda e, festeiro que é, desce à Terra para comemorar. Mas nesse caso, diz a tradição, existe o sério risco de o mundo acabar pelo fogo.

Talvez seja a festa brasileira mais tradicional no Nordeste. Em algumas cidades, nos dias 23 (véspera) e 24 de junho são considerados feriados. O envolvimento da população é geral: as pessoas enfeitam fachadas de seus comércios e residências, penduram bandeirinhas coloridas nas ruas e preparam os deliciosos pratos.

29 de junho: São Pedro

São Pedro é conhecido como o "porteiro do céu" e se tornou padroeiro dos pescadores. Na sabedoria popular, quando começa a trovejar é que "São Pedro está com a barriga roncando" ou que "São Pedro está arrastando os móveis do céu".

Na Bahia e em comunidades pesqueiras do Ceará, São Pedro é comemorado em alto-mar, com uma procissão em meio às ondas.

Festas Joaninas ou Festas Julinas?

Inicialmente, essas festas eram conhecidas como "Festas Joaninas", de "João". Segundo alguns historiadores, esses eventos tiveram origem nos países católicos europeus e era uma homenagem a São João, que comemorava normalmente sua festa em junho. Mais tarde, popularizou-se o termo "Festa Junina".

Atualmente, está se tornando comum encontrar algumas festas no mês de julho, as "Festas Julinas".

Significados dos símbolos e costumes juninos

  • FOGUEIRA - reunião de comunidades e famílias; seu significado mais antigo é a de proteção contra maus espíritos;
  • FOGOS DE ARTIFÍCIO - a tradição popular costuma dizer que o barulho dos rojões e foguetes espatam maus presságios;
  • BALÕES - oferendas aos céus para agradecer pedidos realizados; no entanto, soltar balão é proibido por lei devido ao seu grande potencial de causar incêndio;
  • LAVAGEM DE SÃO JOÃO - é uma espécie de batismo;
  • LEVANTAMENTO DO MASTRO DE SÃO JOÃO - fincado no solo, o mastro recebe pedaços de unha, fios de cabelo e sementes, simbolizando o desejo de fertilidade.

FONTE: Pro Campus, http://www.procampus.com.br/reportagem/junina/default.asp

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