Biblioteca Virtual
Envie sua mensagem para a Biblioteca Virtual
Fale Conosco
Conheça a Biblioteca Virtual e saiba o que podemos fazer por você
Quem Somos

Especial: ARTE E RELIGIÃO [05/2007]

Tamanho do texto   A A A

Às vésperas da visita do Papa Bento XVI e da canonização de Frei Galvão, primeiro santo nascido brasileiro, o país tem se voltado para suas raízes católicas e refletido a respeito das questões ligadas à espiritualidade e crenças. Por essa razão, no destaque deste mês abordamos a arte religiosa, uma forma com que o homem, desde o seu surgimento no mundo, encontrou para representar a sua relação com o divino. Além disso, apresentamos alguns dados sobre o panorama das religiões no Estado de São Paulo.

A arte religiosa vai além das imagens católicas, que conhecemos geralmente como "arte sacra", e abrange todas as formas de representação relacionadas a qualquer crença, culto ou rito vinculado às divindades, às forças sobrenaturais, ao intangível e ao desconhecido (como a morte e a pós-morte). Na verdade, arte e religião sempre andaram interligadas desde os primórdios da história do homem, mas foram se distanciando e se individualizando ao longo do tempo. A cultura popular, em sua essência, também se vincula à religião, assim como as danças e festas que de início eram dedicadas às divindades.


Imagem de Nossa Senhora da Piedade, do século XVIII, pertencente ao Museu de Arte Sacra de São Paulo

Podemos verificar manifestações religiosas ligadas à arte já nas pinturas rupestres nas cavernas da época considerada pré-histórica, que apresentavam aspectos ligados a elementos mágicos. Vemos que a arte religiosa manifesta-se na arquitetura (através dos templos, catedrais, pirâmides, monumentos), na escultura, pintura e artes decorativas. Os sumérios, primeiros habitantes da Mesopotâmia (atual Iraque), foram os primeiros a construir templos (zigurates) e câmaras funerárias monumentais, além de figuras religiosas de alabastro. Sua arte influenciou assírios e babilônicos.

Já para os antigos egípcios a religião era fundamental para sua existência, até mesmo para sua organização social e política norteando, inclusive, as produções artístico-culturais. Os faraós, considerados deuses na terra, eram constantemente representados na arte egípcia, ao lado dos próprios deuses como Ísis e Osíris. A crença numa vida depois da morte sempre ditou uma certa norma de enterrar os corpos (por vezes, mumificados) com seus melhores pertences, para assegurar seu trânsito na eternidade. As monumentais pirâmides construídas durante o Antigo Império inspiram essa busca pela eternidade e solidez através das tumbas, em meio às riquezas e paredes com pinturas e relevos que apresentavam toda a glória do faraó em vida e seu encaminhamento até a pós-morte. A pintura egípcia apresentava uma característica marcante: as figuras eram pintadas em perfil, mas com os membros e corpo voltados para frente.

Na Índia, a arte é uma prática que surge a partir da própria religião. Na arte hindu a volúpia com que são apresentados os deuses e figuras nas pinturas e esculturas pode, por vezes, chocar o olhar cristão ocidental pela sensualidade exposta. Não há a separação entre carne e espírito, e todos os elementos (corpos expostos, composição, volume, etc.) têm como objetivo glorificar os mistérios que resolvem o conflito entre a vida e a morte, entre o tempo e a eternidade. No Japão, as manifestações artísticas mais antigas (que datam dos séculos VII e VIII) estão relacionadas com o budismo.

Mas nem todas as formas artísticas das civilizações baseavam-se na religião. A arte grega e helenística (denominada também como "arte clássica"), embora produzisse imagens religiosas e mitológicas (em templos e esculturas), fundamentava-se, sobretudo, no homem e na busca do equilíbrio e da perfeição das formas.

Quando falamos de arte sacra, logo nos vêm à mente as imagens de santos, do Cristo e das cenas bíblicas da Igreja Católica. Cabe aqui uma diferenciação entre "arte sacra" e "arte religiosa": enquanto a primeira é destinada à liturgia e ao culto; a segunda tem inspiração religiosa, mas não é destinada ao culto, refletindo a vida religiosa do artista. A arte surgida a partir da Igreja Católica Ortodoxa (Império Romano do Oriente), denominada arte bizantina, desenvolveu características muito próprias como a produção de ícones (representações sacras pintadas sobre painéis de madeira) e o uso de mosaicos. O pintor de ícones (iconógrafo) devia ser uma pessoa autorizada e avaliada por uma autoridade da Igreja, tendo uma aprendizagem específica tanto em termos artísticos e de técnica quanto em preparo espiritual. No Brasil, a arte sacra e religiosa produziram belíssimas obras de arte, principalmente na época do Barroco, tendo como exemplo as obras de Aleijadinho.

Religiões Ocidentais X Religiões Orientais

De forma geral, as religiões e as formas com que elas se relacionam com o divino acabam por influenciar as representações artísticas de caráter religioso. Grosso modo, podemos dividir notar algumas diferenças entre religiões ocidentais (judaísmo, islamismo, cristianismo) e orientais (hinduísmo, budismo e taoísmo):

 
Ocidental
Oriental
Visão da
história
Visão linear da história, isto é, a história tem um começo e um fim; o mundo foi criado num certo ponto e um dia irá terminar. Visão cíclica da história, isto é, a história se repete num ciclo eterno e o mundo continua a existir de eternidade em eternidade.
Conceito
de deus
Deus é o criador; Ele é todo-poderoso e é único. O monoteísmo é tipicamente ocidental. O divino está presente em tudo. Ele se manifesta em muitas divindades (politeísmo), ou como uma força impessoal que permeia tudo e a todos (panteísmo).
Noção de
humanidade
Há um abismo entre Deus e o ser humano, entre o criador e a criatura. O grande pecado é o homem desejar se transformar em Deus em vez de se sujeitar à vontade de Deus. O homem pode alcançar a união com o divino mediante a iluminação súbita e o conhecimento.
Salvação Deus redime o ser humano do pecado, julga e dá a punição. Existe a noção de vida após a morte, no céu ou no inferno. A salvação é se liberar do eterno ciclo da reencarnação da alma e do curso da ação. A graça vem por meio de atos de sacrifício ou do conhecimento místico.
Ética O fiel é um instrumento da ação divina e deve obedecer à vontade de Deus, abandonando o pecado e a passividade diante do mal. Os ideais são a passividade e a fuga do mundo.
Culto Orar, pregar, louvar. Meditação, sacrifício.

Números das religiões em São Paulo

Segundo o último Censo que foi realizado em 2000 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o panorama das religiões no Estado de São Paulo era o seguinte: a maior parte declaravam-se católicos (70,31%), seguidos dos evangélicos (17,04%) e espíritas (2,10%).

O número restante (10,55%) representa as pessoas que, no Censo, se declararam testemunhas de Jeová, seguidores da Umbanda, Candomblé, Judaísmo, Budismo, Islamismo, entre outras religiões.

Veja abaixo as três religiões que possuem maior número de adeptos:

  • Católicos Apostólicos Romanos: 26.039.203
  • Evangélicos: 6.311.233
  • Espíritas: 779.325
  • TOTAL DE HABITANTES: 37.035.456 (em 2000)
  • Fonte: IBGE, http://www.ibge.gov.br

Links Relacionados

Downloads

FONTE: GAARDER, Jostein; HELLERN, Victor; NOTAKER, Henry. O livro das religiões. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. (além dos sites indicados acima, à direita)

 ESPECIAIS DO MÊS
 OUTROS ESPECIAIS
 BIBLIOTECA VIRTUAL

Não encontrou a informação que procurava?

Envie sua mensagem pelo formulário Fale Conosco e receba a informação que deseja.

Acompanhe as notícias da Biblioteca Virtual pelo Twitter

Biblioteca Virtual do Governo do Estado de São Paulo on Facebook

BIBLIOTECA VIRTUAL DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
Subsecretaria de Comunicação da Casa Civil

Facebook Twitter Google Plus Blog da Biblioteca Virtual YouTube